Você se considera escravo de sua própria empresa?

Valdez Monterazo (*)

É comum donos de negócios, ou até mesmo gestores, se considerarem escravos de seus negócios. Sentem como se todo o peso do mundo estivesse em seus ombros. Acontece que, muitas vezes, todo o peso da empresa realmente está concentrado em uma única pessoa, coisas triviais e importantes, atividades de sua responsabilidade, como também que deveriam ser da responsabilidade da equipe.

Há pequenos negócios onde os proprietários fazem absolutamente tudo, desde a gestão da empresa até a mais simples das atividades operacionais. Ou até mesmo empresas familiares, onde, após o afastamento do fundador, a empresa simplesmente entra em colapso, e como todo já sabem, o afastamento do dono nem sempre é voluntário, às vezes ele vem de repente.

Acontece ainda, de muitos executivos deixarem seus cargos corporativos em busca da liberdade e prosperidade de ter seu próprio negócio, na maioria das vezes, descobrem, amargamente, que ser o dono pode ser mais preocupante e desafiador do que ser empregado. Trabalham muito mais em sua própria empresa do que quando estavam em seus cargos.

Você ficou intrigado com algum desses cenários? Se a resposta for positiva, ótimo, pois ao longo desse artigo vou passar informações práticas, facilmente aplicáveis e preciosas, para que qualquer líder possa ter mais eficácia na gestão de sua empresa. Mas antes disso, se faça o seguinte questionamento: qual o real papel do dono de uma empresa? Será esse o de se preocupar em apagar cada incêndio, fazer tudo sozinho e queixar-se da má sorte?

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Imagem: Dean Drobot_CANVA

Eu acredito que não. Nesse sentido, fica aqui então a pergunta chave deste artigo: como deixar de ser escravo da própria empresa? Antes de responder isso, permita-me explicar a causa raiz do problema: empresários se tornam escravos de suas empresas quando são incapazes de exercer funções de gestão e ficam presos na execução de atividades que deveriam ser de responsabilidade de seus times ou, até mesmo, terceirizadas ou automatizadas.

Dessa forma, um remédio indispensável é desenvolver competências de gestão e liderança, para que possam se cercar, e desenvolver, pessoas que o ajudem ter êxito em suas atividades. Para exemplificar, trago as ideias de um dos maiores gurus contemporâneos de gestão, além de uma referência internacional em coaching de negócios, o Brian Tracy. Em suas obras, ele comenta que em qualquer cargo de gestão, existem funções chave, elas são:

• Planejar – Planejamento está relacionado às metas e objetivos estratégicos da empresa ou área específica, ou seja, o que exatamente se espera alcançar.

• Organizar – Organização está relacionada aos recursos, materiais e intelectuais, necessários para a boa execução. De forma mais simples, é entender o que é necessário para o cumprimento das atividades e quem é o indivíduo adequado a fazê-la.

• Delegar – Se relaciona a dar, ou conceder, poderes a alguém. Na prática é desapegar-se de atividades que, talvez, já não deveriam ser de sua execução e transferi-la a outra pessoa. Dificuldade em delegar atividades é uma deficiência clássica em diversos líderes, que as concentram em si e ficam totalmente sobrecarregados.

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Imagem: Tijana87_CANVA

• Desenvolver times – Essa talvez seja a função mais importante de um líder, treinar e motivar sua equipe, garantir que estão totalmente aptos e engajados no trabalho a ser feito à frente.

• Supervisionar – Não é nada mais do que garantir que o trabalho esteja sendo executado da melhor maneira possível. Aqui ocorrem dois erros clássicos,

• Medir – Está relacionado a entender se a performance do time, e cada colaborador, superou ou não as expectativas previamente acordadas. Envolve também relatar as boas práticas do time aos superiores e clientes, mostrando o trabalho que foi feito, ou as dificuldades do caminho.

Neste ponto, após expor conceitos simples e impactantes, trago à luz um pensamento derivado do escritor americano Napoleon Hill: “Conhecimento não é poder, é apenas poder em potencial, ele é transformado em poder somente quando aplicado a algum fim prático, um objetivo definido”. Dessa forma, te convido a pôr em prática esse conhecimento e assim transformá-lo em poder, objetivando a prosperidade de sua empresa e sua própria evolução pessoal e profissional.

  1. Planeje e organize suas atividades – Qual trabalho deve ser feito? Qual deve ser executado por você? Quais são as métricas de sucesso e desempenho? Quais recursos são necessários?
  2. Delegue, supervisione e treine a equipe – Descentralize, fuja das atividades que não geram valor e que poderiam ser delegadas ou terceirizadas. Quem é responsável pelo o que? Qual a frequência ideal de acompanhamento das atividades com a equipe? Quais funcionários necessitam ser treinados, motivados ou capacitados?
  3. Meça o trabalho – Cada colaborador cumpriu com sua parte? Indicadores foram atingidos? Que atividades foram feitas e quais ficaram pendentes?
    Lembro nesse ponto que para se medir algo, é necessário que isso tenha antes sido planejado, portanto, mão à obra!

É muito comum surgirem boas ideias de aplicação e pontos de melhoria na gestão ao ser exposto a conteúdos como esse, se esse foi o seu caso, torço para que você os coloque em prática o mais rápido possível para que em um futuro breve, você possa colher os melhores frutos.

Promover esse tipo de reflexão, conhecimento e prática é exatamente o papel de um coach executivo quando trabalha em parceria com um empresário ou líder, o de aplicar continuamente estratégias comportamentais e de gestão para promover maiores e melhores resultados empresariais, trazer de volta o comando da empresa ao líder, e ajuda-lo a ter mais tempo e qualidade de vida.

Ao ler até aqui, você entendeu mais a fundo como exercer uma gestão profissional, trabalhando aspectos como: Planejamento, organização, delegação, supervisão, treinamento e medição de atividades. A aplicação dessas ideias pode te ajudar deixar de lado a circunstância de se sentir escravo de sua própria empresa, para em seu lugar, você possa exercer o verdadeiro papel do dono ou gestor, o de líder.

(*) – Associado sênior na Sociedade Brasileira de Coaching, especializado em negócios, liderança e psicologia positiva, promove resultados em diversos segmentos de pequenas e médias empresas (https://valdezmonterazo.com.br).

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