Inovar para acompanhar os marketplaces

Marcelo Dantas (*)

Se no ano passado a mensagem principal era de que o e-commerce havia se tornado uma forma de sobrevivência para o comércio físico que, de portas fechadas, sucumbia ao coronavírus, em 2021 as vendas no meio digital tornaram-se uma cultura instalada em ritmo crescente. Na China, por exemplo, as vendas online já representam 52,1% do varejo como um todo e especialistas da ABcomm acreditam que nós também chegaremos a este mesmo estágio dentro de pouco tempo.

Além do isolamento social e do home office, há outras boas razões para o crescimento sustentável do comércio online: os investimentos em ações das empresas de e-commerce, a alta do dólar, o cross border interno e até mesmo a recessão em si, já que as vendas pela internet saem mais em conta para o consumidor. Sem falar em novas tecnologias que surgem todos os dias, com novos apps, novas plataformas e novos sistemas de pagamentos, como o PIX, por exemplo.

Há quem esteja colhendo os frutos deste bom momento com vendas diretas; há também quem aposte suas fichas nos marketplaces, porque buscam otimização de recursos e acesso a novos clientes. Mas os desafios existem para qualquer modelo e, no segundo caso, os comércios virtuais correm contra o relógio para acompanhar o roadmap de atualizações frenéticas dos shoppings virtuais. A corrida por tecnologia já é uma rotina para nós, lojistas, há muito tempo.

Marketplaces como Mercado Livre e Amazon possuem APIs extremamente avançados, além da extensa documentação necessária para que as integrações sejam realizadas. Suas estruturas são robustas e permitem que a cada sprint, novas melhorias sejam lançadas. Um exemplo disso, foi o anúncio da B2W em relação à mudança da comunicação do atendimento ao cliente para cada um de seus sellers – até então o SAC ficava exclusivamente no portal do próprio marketplace.

Enquanto os marketplaces precisam atender as necessidades do novo consumidor 4.0 e correm para isso, as lojas têm de estar preparadas para acompanhar as evoluções tecnológicas estrategicamente pensadas por estes gigantes do varejo digital, sempre atentos ao movimento do mercado. A principal pergunta dos comércios eletrônicos sobre todo este contexto é: por qual mudança devo começar? Qual marketplace devo priorizar, já que cada um possui um ecossistema completamente diferente? E o que pode trazer mais retorno para o meu negócio?

Se fôssemos preparar uma lista de tudo aquilo que poderia ser integrado – de melhoria de fluxos aos processos de troca de informação – precisaríamos elencar qual destas melhorias seria capaz de incrementar as vendas e em qual prazo. Não é possível para um pequeno ou médio negócio implementar centenas de funcionalidades novas, mas é possível estudar o que pode ser mais vantajoso e… começar.

Até por que a tecnologia para atender os marketplaces não é a única preocupação dos varejistas online, principalmente para aqueles que possuem um modelo de negócios misto (vendas diretas e marketplaces). Não podemos abrir mão de ferramentas importantes que auxiliam em outros aspectos, como navegação, criação de conteúdo dinâmico, inteligência artificial e recomendação preditiva que ajudam na conversão, sistemas de MultiCD, entre outros.

Lembremos que inovar é fundamental, mas nem sempre há budget para fazer tudo o que é necessário. Por isso, as inovações precisam ser planejadas de acordo com a realidade de cada negócio, suas estratégias e suas possibilidades. A melhor forma de acompanhar o ritmo intenso dos marketplaces é avaliar suas movimentações e compreender o que trará mais resultados. Planejar é a alma do e-commerce.

(*) – É CEO da Estrela10, um dos maiores sites de vendas do Brasil; a empresa está entre os cinco maiores vendedores dos principais marketplaces no Brasil.

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