Pessoas Excelentes, empresas excelentes

Sheila Shimada (*)

Pessoas medianas, empresas medianas.

Pessoas ruins, empresas ruins.

E tudo isso se consolida com o tempo e relacionamento.

Após muitos anos atuando na área do business, tanto como advogada como empresária e conselheira, pude presenciar um enorme número de administradores, contadores, empresários, CEOS, CFOs, empresários e profissionais de sucesso com grandes projetos e know how, cursos em renomadas universidades nacionais e internacionais que obtinham cases de sucesso em algumas empresas e aplicando a mesma metodologia não obtinham sucesso em outras do mesmo segmento. Eu me perguntava: qual é a diferença?

Eu mesma pude experimentar numa fase dentro do meu próprio escritório de advocacia um período sombrio onde parecia que por mais que eu contratasse a melhor consultoria, os melhores advogados sêniores, os softwares de ponta e as melhores empresas de RH e assessoria, que nada daria certo. Era definitivamente desesperador, dava vontade de desistir.

Nesse período sombrio, comum para a maioria das empresas e necessário para o amadurecimento de todo o líder humano, desenvolvi um olhar mais sábio e sistematizado de para toda corporação. Obtive aprendizados que me auxiliaram a gerir não somente o meu escritório, como também realizar na prática M&As, uma vez que incorporar, cindir, fundir ou combinar negócios em empresas vai muito além do que somente fazer contratos ou calcular qual a melhor forma de tributar estruturas. O importante é saber como unir duas empresas, como adequar melhor culturas empresariais diferentes, como juntar pessoas que jamais se comunicaram antes, almoçaram juntas, trabalharam juntas, utilizaram o mesmo sistema ou se perguntaram se era necessário chamar o cara do TI ou o estagiário para resolver questões rotineiras de computador .

Isso se trata de relacionamento e se trata de escolher bem as pessoas que são adequadas a participar do projeto comum já que a empresa se dispôs a servir a humanidade.

Pior ainda quando existem psicopatas corporativos que danificam a estrutura do ambiente de trabalho das empresas, deteriorando ambientes corporativos ou causando prejuízos financeiros às empresas de enormes montas sem jamais serem descobertos.

Para estetipo de pessoas, cabem algumas ressalvas importantes para que o leitor se atente, caso apareça em sua empresa esse tipo de profissional: (i) sempre se mostrará uma pessoa comedida e calma, mas as pessoas ao seu redor se mostrarão pessoas desequilibradas e frequentemente ficarão doentes, (ii) não se manifestam publicamente em reuniões mas tendo chance contam informações sigilosas e falam mal de algo ou alguém para ganhar sua confiança, logo após te pedem um favor ou induzem você a fazer algo sem você perceber, (iii) ao serem confrontados permanecem na posição de vítimas, (iv) jamais assumem um erro ou quando o fazem revertem a situação a seu favor. 

Para estes tipos corporativos, é fundamental que se tome uma atitude imediata. Em contrapartida, para as pessoas que são adequadas ao negócio é igualmente importante que exista um programa de retenção.

Não existe negócio bom com pessoas ruins e não existe negócio ruim com pessoas boas. É simples assim. Quando estamos diante de uma boa equipe, soluções são criadas e mesmo que o negócio seja pivotado, (projeto inicial seja modificado) seguimos em frente crescendo sempre, pois a empresa não para de progredir mesmo que os planos iniciais mudem. Outra coisa importante de ser identificada na empresa é a seguinte:

  • Boas pessoas nem sempre vão mostrar resultados e metas, mas as pessoas ao seu redor vão, porque ela ajuda os que estão ao seu redor e nem sempre leva mérito por isso pois não faz questão de ter reconhecimento individual, para ela o grupo ou o projeto é mais importante.
  • Boas pessoas na sua empresa podem ser excelentes seres humanos e excelente profissionais, mas não saberem se relacionar ou se comunicar ao mesmo tempo e você enquanto líder vai ter que ajudá-las a desenvolver essa habilidade para que o ambiente de trabalho consiga se desenvolver;
  • Para que a empresa consiga progredir e caminhar para um mesmo objetivo, o líder vai ter que alinhar a visão da equipe para um mesmo objetivo que é o bem-estar comum da empresa em detrimento do bem-estar individual de pessoas, para que assim o individual não prevaleça sobre o coletivo e a empresa consiga sobreviver

Com essas observações embrionárias sobre o nascimento da cultura numa empresa, é possível começar a trabalhar com a escolha das pessoas certas depois iniciar o trabalho de relacionamento. Primeiro escolhemos pessoas boas, depois vemos a disposição delas para se relacionar e com a resposta positiva trabalhamos o desenvolvimento da relação. Isso porque pessoas excelentes podem não saber se relacionar. Com o trabalho constante e o aprimoramento dos relacionamentos, os projetos se tornam cada vez mais sustentáveis e as empresas por sua vez, cada vez mais sólidas. Não podemos nos enganar, tudo é construído a partir de pessoas e os projetos só se consolidam com o tempo através da interação e relacionamentos.

(*) – Formada pela Mackenzie, Pós em Direito Processual Civil na PUC-SP, Extensão na FGV Law em Tributação, é professora de direito empresarial na USP. É Mediadora, formada pela Faculdade Legale.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

0 Shares
Share via
Copy link
Powered by Social Snap