364 views 5 mins

Empresas crescem com estrutura, não com improviso no papel da gestão estratégica no lucro real

em Espaço empresarial
segunda-feira, 01 de setembro de 2025

Jonathan Viana, sócio e diretor executivo da Análise Group, alerta que regime tributário não substitui processos, previsibilidade e gestão organizada

O regime de lucro real, adotado por mais de 184 mil empresas no Brasil, segundo a Receita Federal, ainda gera dúvidas entre empresários que o veem apenas como saída para reduzir a carga tributária. A modalidade, voltada para negócios com receita anual superior a R$78 milhões ou que atuam em setores obrigatórios, exige estrutura contábil e gestão madura para trazer resultados. Quando implementado sem preparo, pode ampliar riscos em vez de garantir ganhos.

Jonathan Viana, sócio e diretor executivo da Análise Group, conselheiro empresarial e coautor do método MGCI (Maturidade de Gestão Contábil Inteligente), explica que o equívoco recorrente é enxergar o regime apenas como instrumento fiscal. “O lucro real exige previsibilidade, controle de margem, processos bem definidos e contabilidade orientada à estratégia. Muitos empresários falham porque buscam o regime apenas como solução tributária, sem preparar a gestão”, afirma.

De acordo com o Mapa de Empresas do Ministério da Economia, somente em 2024 mais de 935 mil companhias encerraram atividades no país. Entre os fatores apontados pelo Sebrae estão falhas de gestão financeira, ausência de planejamento e informalidade nos processos. O levantamento mostra ainda que organizações com gestão estruturada têm 30% mais chances de sobreviver após cinco anos de operação.

Outro dado relevante é da pesquisa Demografia das Empresas, do IBGE, que indica que 47,5% das empresas brasileiras fecham antes de completar três anos. O quadro evidencia que improviso e decisões apressadas comprometem a longevidade. “Quando não existe previsibilidade, o empresário se perde entre pagar impostos, controlar estoque e gerir pessoas. O lucro real, nesse cenário, pode virar uma armadilha porque exige disciplina e clareza nos números”, reforça Viana.

O especialista destaca ainda a importância de diferenciar regime tributário de gestão estratégica. Segundo ele, não basta calcular tributos com precisão: é necessário que o resultado contábil reflita a operação real do negócio. “Lucro não é caixa. Uma empresa pode ter boa movimentação financeira e, ainda assim, prejuízo contábil. Sem indicadores confiáveis, não há como sustentar decisões de expansão ou corte de custos”, completa.

Pesquisas internacionais corroboram esse cenário. O Global Entrepreneurship Monitor (GEM) aponta que 34% dos negócios fecham por falta de rentabilidade, e não por ausência de mercado. Esse dado reforça a análise de Viana: “O mercado não é o único inimigo da empresa. Muitas vezes, a própria gestão, ou a falta dela, é o fator decisivo para o fracasso”.

Além disso, levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que a baixa produtividade é um dos maiores gargalos da competitividade no país. Estudo divulgado em 2024 apontou que empresas brasileiras produzem, em média, apenas 25% do que gera um trabalhador dos Estados Unidos em termos de valor adicionado. Para Viana, o dado reforça a necessidade de alinhar gestão contábil e estratégia empresarial: “Sem produtividade, o lucro real não se sustenta. O que garante competitividade é eficiência nos processos”.

Outro ponto de atenção está na complexidade tributária. Segundo o relatório Doing Business, do Banco Mundial, uma empresa no Brasil gasta em média 1.501 horas por ano para cumprir obrigações fiscais , que são um dos índices mais altos do mundo. Esse cenário torna ainda mais crítico o improviso na gestão. “O empresário que não tem estrutura se perde no meio das obrigações acessórias. O lucro real exige controles que só fazem sentido quando há processos sólidos”, finaliza Viana.

*******************************************************************

Prezado(a) leitor(a),

Gostaríamos de convidá-lo(a) a participar de uma breve pesquisa. Suas respostas nos ajudarão a entender melhor o perfil de nossos leitores e a direcionar nossos esforços para oferecer o melhor jornalismo de negócios.

PESQUISA JORNAL EMPRESAS E NEGÓCIOS