
Durante muitos anos, orientamos nossos jovens a responder uma pergunta aparentemente simples: “O que você quer ser quando crescer?” Hoje, depois de mais de vinte anos trabalhando com educação, desenvolvimento de carreira e marketing para instituições de ensino, acredito que talvez estejamos fazendo a pergunta errada.
Fomos educados para imaginar a carreira como uma linha reta: escolher uma profissão, fazer uma graduação e seguir o mesmo caminho durante décadas. Mas o mundo mudou. A inteligência artificial está transformando profissões, automatizando tarefas, criando novas ocupações e exigindo competências que, até poucos anos atrás, nem faziam parte das discussões sobre educação.
Segundo o Future of Jobs Report 2025, do World Economic Forum, cerca de 39% das habilidades exigidas pelo mercado de trabalho deverão mudar até 2030. Ao mesmo tempo, a OCDE destaca que a aprendizagem ao longo da vida deixou de ser um diferencial para se tornar uma condição essencial para a empregabilidade e para a participação ativa na sociedade.
Esses dados reforçam algo que observo diariamente ao trabalhar com estudantes, famílias e escolas. Os jovens não precisam apenas escolher uma profissão. Eles precisam desenvolver a capacidade de lidar com mudanças, aprender continuamente e tomar boas decisões em um cenário de permanente transformação.
Na minha experiência, os estudantes que demonstram maior capacidade de adaptação não são necessariamente aqueles que têm todas as respostas aos dezessete anos. São aqueles que conhecem suas fortalezas, compreendem seus interesses, cultivam a curiosidade e mantêm uma postura aberta para aprender. O autoconhecimento passa a ser menos uma ferramenta de orientação profissional e mais uma competência estratégica para navegar um futuro imprevisível.
Ao longo da minha trajetória na educação internacional, tive a oportunidade de acompanhar de perto como tecnologia, inovação e novas formas de aprendizagem estão redefinindo o desenvolvimento de carreiras. Essa experiência reforçou uma convicção que levo para todas as minhas palestras e projetos: preparar jovens para o futuro não significa ajudá-los a prever quais profissões existirão, mas desenvolver neles a capacidade de continuar aprendendo, adaptando-se e evoluindo ao longo da vida.
Talvez a competência mais importante do futuro não seja escolher uma profissão cedo. Talvez seja aprender a mudar, sem perder de vista quem somos, nossos valores e nossa capacidade de construir novos caminhos sempre que o mundo nos convidar a recomeçar.
Referências
OECD. OECD Skills Outlook 2023: Skills for a Resilient Green and Digital Transition. Paris: OECD Publishing, 2023.
World Economic Forum. The Future of Jobs Report 2025. Geneva: World Economic Forum, 2025.
Carol Olival acredita que, em um mundo transformado pela inteligência artificial, a habilidade mais importante não é prever o futuro, mas aprender a tomar boas decisões. Especialista em marketing para instituições educacionais, pesquisadora e Community Outreach Director da Full Sail University no Brasil, dedica sua carreira a aproximar educação, tecnologia e desenvolvimento humano. É autora do livro Você Não Precisa Saber Agora e, nesta coluna, convida o leitor a refletir sobre os desafios e as oportunidades de aprender, escolher e evoluir em um cenário de mudanças constantes.
Cultura de Paz para um mundo em guerra | Jornal Empresas & Negócios




