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A pergunta mais importante sobre carreira não é a que a maioria das pessoas faz

em Economia da Criatividade
quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Quando converso com estudantes, percebo que quase todas as conversas sobre futuro começam da mesma forma: “O que você quer fazer?” Essa pergunta atravessa gerações e faz parte da cultura de famílias, escolas e orientadores. Mas, depois de mais de vinte anos trabalhando com educação e desenvolvimento de carreiras, cheguei a uma conclusão: ela direciona o jovem para a resposta errada.

A pergunta que realmente transforma uma escolha é outra: Quem você quer se tornar? A diferença parece pequena, mas muda completamente a forma de pensar o futuro. Quando perguntamos qual profissão um jovem deseja seguir, concentramos sua atenção em um cargo, um diploma ou um mercado. Quando perguntamos quem ele deseja se tornar, ampliamos a conversa para valores, interesses, competências, propósito e contribuição para a sociedade.

Essa mudança nunca foi tão necessária. A inteligência artificial está acelerando a transformação do mercado de trabalho. O Future of Jobs Report 2025, do World Economic Forum, mostra que milhões de profissionais precisarão desenvolver novas competências nos próximos anos. A OCDE também destaca que a aprendizagem contínua deixou de ser um diferencial e passou a ser uma condição para acompanhar as mudanças econômicas e tecnológicas.

Nesse contexto, construir uma identidade baseada apenas em uma profissão é cada vez mais arriscado. Profissões evoluem, funções desaparecem e novas oportunidades surgem constantemente. O que permanece é a capacidade de aprender, adaptar-se e tomar boas decisões ao longo da vida.

Na minha experiência, os estudantes que constroem trajetórias mais consistentes não são aqueles que encontram cedo uma profissão definitiva. São aqueles que compreendem quem são, reconhecem seus talentos, conhecem seus valores e desenvolvem a confiança para revisar suas escolhas sempre que necessário.

Essa também é uma mudança importante para as famílias. Durante muito tempo, segurança significava escolher uma profissão estável. Hoje, segurança significa desenvolver competências que permitam crescer em diferentes contextos e construir novos caminhos sempre que o mundo mudar.

A orientação de carreira precisa acompanhar essa transformação. Seu objetivo não deve ser ajudar um jovem a encontrar uma profissão para a vida inteira, mas prepará-lo para tomar decisões conscientes durante toda a vida. No fim, a melhor escolha profissional não nasce da tentativa de prever o futuro. Ela nasce do conhecimento profundo de quem somos e da capacidade de continuar evoluindo.

Porque a carreira é consequência. A pessoa vem primeiro.

Referências

OECD. OECD Skills Outlook 2023: Skills for a Resilient Green and Digital Transition. Paris: OECD Publishing, 2023.

World Economic Forum. The Future of Jobs Report 2025. Geneva: World Economic Forum, 2025.

Carol Olival acredita que, em um mundo transformado pela inteligência artificial, a habilidade mais importante não é prever o futuro, mas aprender a tomar boas decisões. Especialista em marketing para instituições educacionais, pesquisadora e Community Outreach Director da Full Sail University no Brasil, dedica sua carreira a aproximar educação, tecnologia e desenvolvimento humano. É autora do livro Você Não Precisa Saber Agora e, nesta coluna, convida o leitor a refletir sobre os desafios e as oportunidades de aprender, escolher e evoluir em um cenário de mudanças constantes.

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