
Gabriel Caetano da Silva (*)
O brasileiro sempre teve uma forte habilidade para vendas, é algo que faz parte da nossa cultura, está enraizado em nosso DNA. Com a pandemia de Covid-19, esse perfil se adaptou rapidamente ao ambiente digital, abrindo novas oportunidades e acelerando o crescimento do mercado de infoprodutos.
A capacidade do brasileiro de se adaptar e vender no digital passou a ser reconhecida internacionalmente. Hoje, profissionais do país já compartilham conhecimento com empresários em mercados como Estados Unidos, Alemanha e Japão. Não por acaso, há uma percepção recorrente no setor: quem aprende a vender no Brasil tende a encontrar mais facilidade para atuar em outros países.
O tamanho e a diversidade do mercado brasileiro também ajudam a explicar esse protagonismo. Em um país de dimensões continentais, diferentes públicos e culturas convivem, o que amplia as possibilidades de atuação. Há espaço tanto para nichos de grande volume, como autoestima, renda extra e produtos adultos, quanto para mercados em expansão, como o segmento pet. Essa variedade permite testar estratégias, escalar operações e atingir públicos distintos dentro de um mesmo ambiente.
As plataformas digitais têm papel central nesse processo, já que canais como redes sociais e buscadores são, hoje, o principal ponto de contato entre marcas e consumidores. É nesse ambiente que as pessoas passam grande parte do tempo, consumindo conteúdo, interagindo e descobrindo novos produtos. Para quem trabalha com infoprodutos, estar presente nessas plataformas é essencial.
Outro fator decisivo para o avanço do setor é o uso da inteligência artificial. O que antes exigia investimento elevado e tempo, como a criação de sites, campanhas ou estruturas digitais, hoje pode ser feito de forma muito mais rápida e acessível. Em poucos minutos, é possível desenvolver páginas, conteúdos e até estratégias completas com o apoio da tecnologia. Em alguns casos, já existem operações altamente automatizadas, com uso de IA na produção de vídeos, materiais e processos de venda.
Apesar do crescimento acelerado, o mercado ainda enfrenta um desafio importante: a escassez de profissionais qualificados. Em muitas regiões do Brasil, especialmente fora dos grandes centros, empresas têm dificuldade em encontrar mão de obra preparada para atuar no digital, o que deixa o cenário mais crítico é que a presença online deixou de ser opcional. Hoje, qualquer negócio, seja uma loja, restaurante ou prestador de serviço, precisa estar no ambiente digital para se manter competitivo.
O futuro do Brasil como referência global em marketing digital passa, portanto, pela formação de novos profissionais e pela capacidade de continuar unindo tecnologia com a habilidade de comunicação que já é característica do brasileiro. Mais do que dominar ferramentas, o diferencial está em entender pessoas.
(*) Especialista em marketing digital e na criação de infoprodutos globais.


