Novo ensino médio dará autonomia a estados; entidades criticam falta de diálogo

O texto da reforma do ensino médio que será proposto pelo presidente Michel Temer deverá ser o mais amplo possível para permitir autonomia dos estados, segundo o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Eduardo Deschamps.

O texto não deverá tratar, por exemplo, da formação de professores. O governo quer aprovar a reforma do ensino médio até o final do ano. Uma das possibilidades é o envio de uma medida provisória, que passa a valer assim que for publicada no Diário Oficial e tem 120 dias para ser aprovada ou não no Parlamento.
De acordo com o Consed, o texto final ainda não foi disponibilizado aos secretários, mas grande parte das sugestões dadas pelos gestores foi acatada. A intenção é que o ensino médio tenha, ao longo de três anos, metade da carga horária de conteúdo obrigatório, definido pela Base Nacional Comum Curricular – ainda em discussão. O restante do tempo deve ser flexibilizado a partir dos interesses do próprio aluno e das especificidades de cada rede de ensino no Brasil.
Os alunos poderão escolher seguir algumas trajetórias: linguagens, matemática, ciências da natureza e ciências humanas – modelo usado também na divisão das provas do Enem. Os secretários propõem ainda a inclusão de um quinto eixo de formação: técnica e profissional. “Estamos muito animados com isso porque é a primeira vez que vemos o MEC falar que vai respeitar o que cada estado pode ter de potencial inovador no processo, que vai dar o arcabouço geral, as diretrizes mais macro e deixar cada rede desenvolver modelos que possam fazer sentido para os seus sistemas”, avalia Deschamps.
O secretário acredita que Temer manterá muito do que foi discutido pelos estados e no processo de tramitação do projeto. De acordo com Deschamps, os estados poderão, por exemplo, criar escolas que sejam especializadas em determinada formação. As definições serão feitas em conjunto com os conselhos estaduais de Educação. A edição de uma medida provisória, no entanto, desagrada algumas entidades educacionais. Para o coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, faltou discutir o assunto com a sociedade. “Não se resolve problemas complexos por canetadas”, defendeu (ABr).

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