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Grandes eventos impulsionam o uso da IA para prever o consumo

em Destaques
segunda-feira, 27 de julho de 2026

Empresas utilizam IA para antecipar demanda, otimizar estoques e tornar decisões mais precisas em períodos de maior consumo

Grandes eventos, datas promocionais e períodos de alta demanda alteram o comportamento do consumidor e desafiam empresas de diversos setores. Segundo Fernando Murad, COO da StaryaAI, a inteligência artificial (IA) tem se consolidado como uma ferramenta para prever esses movimentos, antecipar demandas, reduzir custos operacionais e tornar as decisões de negócio mais precisas.

Eventos de grande audiência, como a Copa do Mundo, Olimpíadas, grandes shows e datas comerciais, costumam gerar mudanças significativas nos padrões de consumo. Ao cruzar informações históricas de vendas, sazonalidade, comportamento digital, indicadores operacionais e interações em diferentes canais, algoritmos de inteligência artificial conseguem identificar tendências antes mesmo dos picos de demanda acontecerem, permitindo que as empresas planejem estoques, logística e atendimento de forma mais eficiente.

“O valor da inteligência artificial está em transformar grandes volumes de dados em decisões. Quando analisamos comportamento do consumidor, recorrência, sazonalidade, taxa de conversão e sinais de engajamento de forma integrada, conseguimos prever cenários e orientar a operação antes dos picos de demanda, reduzindo desperdícios e aumentando a eficiência”, afirma o COO.

Estudos internacionais mostram que grandes eventos costumam provocar mudanças expressivas nos hábitos de consumo. Durante a Copa do Mundo, por exemplo, pesquisa da Statista aponta que cerca de 32% dos consumidores aumentam os gastos com alimentos e bebidas. Levantamento da Morgan Stanley mostra que 28% dos torcedores pretendem consumir mais serviços de delivery durante o torneio. Já estimativas de mercado indicam o consumo adicional de mais de 1 bilhão de pints de cerveja em escala global. Relatórios da Nielsen, Circana e da FIFA Licensing também registram aumento da demanda por produtos licenciados, artigos esportivos, serviços de streaming e experiências digitais durante eventos de grande porte.

Para empresas de varejo, supermercados, plataformas de delivery, indústrias de bebidas, e-commerces e negócios digitais, esse comportamento representa uma oportunidade para utilizar inteligência artificial na previsão de demanda. Modelos preditivos conseguem identificar horários de maior movimento, regiões com maior potencial de consumo, produtos mais procurados e possíveis gargalos operacionais, permitindo ajustes em estoques, logística, campanhas de marketing e atendimento praticamente em tempo real.

“A inteligência artificial consegue antecipar movimentos de demanda quando cruza sinais históricos com padrões de comportamento e operação. Na prática, ela analisa volumes, recorrência, sazonalidade, canais de entrada, velocidade de resposta, taxa de conversão e mudanças de comportamento ao longo da jornada. Com isso, identifica padrões que dificilmente seriam percebidos apenas pela análise humana e permite que as empresas deixem de reagir aos acontecimentos para se preparar antecipadamente”, explica Murad.

Segundo o executivo, a análise preditiva também reduz prejuízos causados pelo excesso ou pela falta de estoque em períodos de maior consumo. Entre as aplicações estão a previsão mais precisa do volume necessário de produtos, a otimização dinâmica dos pontos de reposição, a segmentação por categoria de itens (SKUs), a integração das previsões com fornecedores e o monitoramento contínuo da operação para ajustes rápidos diante de mudanças inesperadas no comportamento do consumidor.

Outro diferencial está na capacidade da IA de analisar dados que refletem o comportamento real dos clientes. “Histórico de compras, perfil de consumo, volume por canal de atendimento, taxas de conversão, recorrência de interações, tempo de resposta, abandono de jornadas digitais e níveis de engajamento são algumas das informações utilizadas para identificar tendências antes que elas gerem perdas de vendas ou problemas operacionais”, destaca o executivo.

Além do varejo, setores como marketing, serviços, tecnologia, operações financeiras, entretenimento e empresas com atuação multicanal também podem utilizar inteligência artificial para adaptar estratégias em períodos de maior demanda. A tecnologia permite personalizar campanhas, identificar os melhores momentos para ofertas, monitorar o sentimento do público em relação às marcas e ajustar rapidamente as estratégias comerciais conforme mudanças no comportamento dos consumidores.

Na prática, esse potencial já gera resultados concretos. Um dos casos apresentados pela StaryaAI ocorreu na dr.consulta. A análise das interações realizadas pela agente virtual Gabi revelou uma demanda crescente por agendamentos que ainda não era plenamente atendida pela operação. A partir desse diagnóstico, foi criada a agente Lara, especializada nesse processo. Em pouco mais de um mês, a solução alcançou uma taxa de conversão de aproximadamente 10% em agendamentos. No conjunto da operação, os agentes de IA ultrapassaram 3 milhões de mensagens processadas, geraram cerca de 75 mil conversões, contribuíram para um crescimento superior a 60% da receita via WhatsApp e reduziram os custos em aproximadamente 75% em comparação com uma operação humana equivalente.

De acordo com Fernando Murad, os mesmos princípios utilizados para analisar grandes eventos podem ser aplicados em diferentes períodos de alta demanda, como Black Friday, Natal, Dia das Mães, grandes shows, festivais, eventos esportivos e outras datas sazonais.

“A IA deve ser encarada como uma infraestrutura de decisão. Quando integrada aos processos da empresa, ela acompanha padrões de demanda, identifica riscos de abandono, mede a capacidade operacional e apoia decisões em tempo real. Isso aumenta a eficiência, melhora a experiência do consumidor e reduz perdas em qualquer período de maior demanda”, conclui Murad.

Grandes eventos geram oportunidades para o e-commerce | Jornal Empresas & Negócios