
A menopausa, etapa natural da vida de todas as mulheres, antes cercada por silêncio ou desinformação, restrita aos consultórios médicos ou às conversas íntimas, já não é mais tabu. Este cenário tem mudado, impulsionado especialmente por avanços tecnológicos e por uma transformação cultural que busca romper estigmas históricos relacionados à saúde feminina.
Segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 30 milhões de mulheres no país estão na faixa etária do climatério, que inclui a última menstruação e o surgimento dos sintomas da menopausa. Em nível global, 1 bilhão das 8 bilhões de pessoas do mundo estarão nesta fase em 2030, segundo a Sociedade Norte-Americana para Menopausa (NAMS, na sigla em inglês).
Com a queda progressiva dos hormônios, começam a surgir sintomas mais vagos, que se confundem com outras condições médicas, mas é muito importante falar neles, em especial sobre a menopausa, nome que se dá à última menstruação. O corpo da mulher começa a se preparar para a menopausa entre os 45 e 55 anos. O climatério, conhecido como o período que antecede a menopausa, também chamado de transição menopausal é o primeiro “sinal” desta nova etapa de desafios na vida das mulheres, que pode e deve ser enfrentado com bastante resiliência. Passar por esse momento traz uma série de mudanças e adaptações ao corpo feminino.
Números do mercado
Nos últimos anos, novas abordagens no cuidado com a menopausa vêm ganhando espaço e oferecendo alternativas mais eficazes e personalizadas para lidar com sintomas como ondas de calor, insônia, alterações de humor e queda de libido. A chamada medicina de precisão, aliada ao uso de tecnologias digitais, permite que tratamentos sejam ajustados às características individuais de cada paciente, ampliando as possibilidades para além dos métodos tradicionais.
Entre as inovações, destacam-se as terapias hormonais personalizadas, que hoje contam com protocolos mais seguros e monitoramento contínuo. Aplicativos de saúde também passaram a desempenhar um papel importante nesse processo, ajudando mulheres a registrar sintomas, acompanhar ciclos e compartilhar informações com profissionais de saúde em tempo real.
No mundo, o consumo entre a população 50+ já soma 22 trilhões de dólares por ano. No Brasil, a economia prateada representou 1,8 trilhão de reais gastos no setor privado em 2024, o que significa 24% do consumo domiciliar privado, segundo dados do Data8. Em 20 anos, o consumo acumulará 3,8 trilhões por ano e, em 2044, representará 35% do consumo privado domiciliar total no país. Ou seja, o valor da economia prateada irá duplicar em duas décadas.
Para Izabelle Gindri, PhD em Engenharia Biomédica pela UTD (University of Texas, Dallas), cientista, farmacêutica, cofundadora e CEO da bio meds Brasil, empresa brasileira especializada em saúde hormonal, este novo cenário representa uma mudança significativa na forma como a menopausa é compreendida. “Antes, o foco estava apenas na reposição hormonal ou no controle pontual dos sintomas. Hoje, falamos de qualidade de vida, saúde mental, bem-estar e autonomia da mulher ao longo dessa fase”, explica.
Apesar dos avanços, desafios importantes permanecem. A falta de informação de qualidade continua sendo um obstáculo para muitas mulheres que enfrentam a menopausa sem orientação adequada. É fundamental que políticas públicas ampliem o acesso ao diagnóstico, ao tratamento e à educação em saúde, garantindo que os benefícios dessas inovações não fiquem restritos a uma parcela reduzida da população.
A terapia de reposição hormonal (TRH) é importante para muitas mulheres, especialmente durante e após a menopausa. Ela envolve a administração de hormônios em quantidades personalizadas caso a caso, que pode ser realizado via implantes subcutâneos, por exemplo. Estas terapias têm se monstrado eficazes e seguras para aliviar os sintomas da deficiência hormonal e melhorar a qualidade de vida. “É crucial que cada mulher discuta com seu médico para personalizar o tratamento de acordo com suas necessidades individuais e avaliar cuidadosamente os riscos e benefícios”, reforça Izabelle Gindri.
Como identificar os primeiros sinais e sintomas se eles são tão diversos e podem se confundir com outras condições de saúde?
Mais de 80 sintomas associam-se ao climatério. Um sintoma comum e clássico é o fogacho, também conhecido como onda de calor. Por um desequilíbrio do centro de controle da temperatura, a mulher começa a sentir um calorão repentino, geralmente no tórax e pescoço, fica vermelha, e com suor excessivo. Outro sintoma comum é a mudança do padrão menstrual, geralmente mais precoce, onde os ciclos tornam-se irregulares. Fisicamente, são frequentes a sensação física de cansaço, a falta de energia e disposição, os problemas do sono, como a dificuldade de dormir e insônia, o ressecamento da pele e a flacidez.
A saúde psicológica e cognitiva também sofre impacto. As pessoas do convívio diário começam a notar uma piora da concentração e da memória, e alterações do humor e irritabilidade. Em alguns casos, pode ser notado um padrão mais depressivo. Dentre todos estes aspectos apontados, talvez o mais desafiador para a mulher, por constituir um conjunto de alterações físicas e emocionais é a diminuição da qualidade de vida sexual. A queda dos hormônios provoca o ressecamento e afinamento da parede vaginal, e a diminuição da lubrificação. Como resultado, o ato sexual pode se tornar doloroso. O saldo então é a diminuição do desejo sexual, falta de excitação, baixa autoestima e até depressão.
Para muitos profissionais de saúde, a principal estratégia para aliviar os sintomas do climatério consiste na adoção de hábitos saudáveis aliados com a terapia de reposição hormonal. “Uma alimentação saudável e a prática de atividade física regular, principalmente exercícios aeróbicos e de fortalecimento muscular, ajudam no controle de peso, diminuem as dores musculares e articulares, e melhoram o humor, a libido e as alterações vaginais. Estimular o cérebro em atividades de raciocínio ajuda a reduzir o risco de perda de memória durante a pós-menopausa”, conclui a especialista Izabelle Gindri.


