
Fabiana Monteiro (*)
Daniela Putti, General Manager da Beckman Coulter, acredita que confiança, empatia e autonomia são pilares essenciais para construir equipes de alta performance.
Daniela Putti, construiu sua trajetória acreditando que liderança não se resume a cargos ou resultados. Para ela, o verdadeiro impacto está nas relações construídas ao longo do caminho, na capacidade de inspirar pessoas e na coragem de seguir em frente mesmo sem condições perfeitas.
Nascida em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, Daniela cresceu em uma família marcada por valores sólidos, incentivo aos estudos e autonomia. Filha de Vera e Hamilton, aprendeu desde cedo a importância do esforço, da educação e da forma como tratamos as pessoas. A mãe, psicóloga formada pela Universidade Metodista com bolsa de estudos, foi a primeira entre os irmãos a concluir uma graduação. Já o pai, executivo da área química, deixou um legado que ela considera muito maior do que qualquer bem material: o exemplo de respeito, gentileza e visão igualitária.
Casada há 18 anos com Fábio e mãe de Valentina e Antonela, Daniela afirma que a maternidade ampliou sua visão sobre empatia, adaptação e equilíbrio. Entre todos os papéis que desempenha, considera o de mãe o mais transformador.
A busca pela independência começou cedo. Antes mesmo da faculdade, vendeu doces, bijuterias, trabalhou em buffet infantil e como recepcionista bilíngue. Aos 19 anos, iniciou a carreira corporativa como estagiária na Abbott, multinacional do setor de saúde. Menos de um ano depois, foi efetivada.
Formada em Farmácia e Bioquímica, Daniela encontrou no setor da saúde um ambiente onde poderia unir ciência, estratégia, comunicação e relacionamento humano. Após uma passagem pela área de pesquisa clínica, percebeu que precisava de algo mais conectado à criatividade e ao planejamento estratégico. Foi então que iniciou uma especialização em marketing na ESPM, decisão que ampliou seus horizontes profissionais.
Sua trajetória passou por empresas como Bayer HealthCare, Siemens, Zimmer, Medtronic e Philips Healthcare. Em cada experiência, acumulou aprendizados sobre liderança, transformação e adaptação. Na Philips, encontrou um ambiente que reforçou sua percepção sobre a importância da presença feminina em posições estratégicas e da construção de culturas corporativas mais inclusivas.
Há quase dez anos, Daniela ingressou na Beckman Coulter, companhia do grupo Danaher, um dos maiores conglomerados globais de Diagnósticos e Ciências da Vida. Entrou como gerente de marketing no Brasil e, ao longo da jornada, assumiu posições regionais até chegar ao cargo de General Manager da operação brasileira.
Segundo Daniela, liderar equipes multidisciplinares e tomar decisões que impactam pessoas e famílias exige maturidade emocional, escuta e responsabilidade. Por isso, defende um modelo de liderança menos hierárquico e mais colaborativo.
Ela acredita que o papel do líder é criar condições para que outras pessoas cresçam. Para isso, aposta em autonomia, descentralização, diálogo constante e construção de confiança. Em sua visão, a liderança deixa de ser solitária quando existe colaboração genuína.
A executiva também reforça a importância da vulnerabilidade dentro do ambiente corporativo. Para ela, líderes não precisam sustentar uma imagem de perfeição. Pelo contrário: quando demonstram humanidade, aproximam as pessoas e fortalecem as conexões dentro das equipes.
Durante um dos momentos mais importantes da carreira — a conquista da atual posição de liderança — Daniela enfrentava o luto pela perda do pai. Ao compartilhar esse sentimento com o time, percebeu o quanto a transparência emocional fortalece relações profissionais.
Outro tema central em sua visão de gestão é a comunicação. Daniela acredita que clareza, alinhamento e transparência são fundamentais para equipes de alta performance, especialmente em um cenário cada vez mais dinâmico e híbrido.
Muito antes da popularização do home office, já defendia modelos de trabalho mais flexíveis. Quando entrou na Beckman Coulter, negociou a possibilidade de trabalhar remotamente uma vez por semana para conciliar maternidade e carreira. Para ela, produtividade está ligada à entrega, não ao controle excessivo.
Daniela também acredita que diversidade amplia a qualidade das decisões. Diferentes perspectivas, origens, gerações e experiências enriquecem debates e fortalecem a inovação dentro das empresas.
Atenta às transformações do setor da saúde, vê a Inteligência Artificial como uma das maiores forças de mudança dos próximos anos. Em sua avaliação, a consolidação inteligente de dados poderá acelerar diagnósticos, otimizar recursos e tornar sistemas de saúde mais eficientes e acessíveis.
Ao olhar para sua própria trajetória, Daniela reforça que não existem condições perfeitas para começar. Segundo ela, crescimento profissional exige coragem para agir mesmo diante das incertezas.
Inspirada por autores como Mario Sergio Cortella, Mel Robbins e Greg McKeown, acredita que evolução profissional e pessoal dependem da capacidade de priorizar o que realmente importa, desenvolver boas relações e continuar aprendendo constantemente.
Para Daniela Putti, a vida é construída entre tentativas, erros, ajustes e recomeços. O mais importante, segundo ela, não é parecer perfeito, mas reconhecer a própria evolução ao longo da jornada. “Quem você se torna nesse caminho é o que mais importa.”
(*) Chairman, CEO da Editora Global Partners – Affiliated to Institute of Coaching at McLean Hospital, associate Harvard Medical School – (ICPA). Conselheira de empresas.




