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Setembro Amarelo: o que o suicídio significa para as organizações

em A Outra Sala
terça-feira, 02 de setembro de 2025

Ana Luisa Winckler (*)

Setembro é amarelo, mas a dor não tem agenda. Ela não manda save the date, não respeita campanha de calendário e não aparece de fita no crachá.

Mais de 16 mil pessoas tiram a própria vida todos os anos no Brasil. Para cada uma delas, em média, outras 20 tentativas acontecem. Enquanto isso, seguimos campeões em ansiolíticos e antidepressivos, mas menos de 3% da população está em terapia regularmente. É como oferecer guarda-chuva furado em tempestade.

E o que é, afinal, o suicídio?
Não é falta de caráter, nem falta de Deus.
É o ato mais extremo de silêncio.
É quando a dor aperta tanto que a única saída parece ser sair da própria vida.

Na sociedade, o suicídio revela falhas coletivas.
Na empresa, ele é a sirene que ninguém quis ouvir: um ambiente inteiro que não soube escutar antes.

E é aqui que a conversa fica desconfortável. Porque as organizações adoram colorir o calendário, setembro amarelo, janeiro branco, outubro rosa… mas esquecem de pintar a rotina. Fala-se em saúde mental com a mesma leveza de quem fala de coffee break: bonito no convite, vazio na prática.

Só que um suicídio não é estatística. É a implosão de um sistema de relações que falhou. E quando isso acontece:
• Times inteiros perdem confiança.
• Lideranças se revelam despreparadas.
• E ecoa a pergunta que ninguém quer dizer em voz alta:
“Será que poderia ter sido evitado?”
É duro, mas necessário: o custo do silêncio é sempre mais alto que o custo do cuidado.
Eu já estive em corredores onde a dor foi tratada como detalhe. Vi líderes terceirizando empatia para cartilhas e campanhas. E sei: não funciona. Porque a vida não cabe em manual de compliance.
E talvez essa seja a frase que ninguém quer ouvir, mas eu vou dizer: se a sua organização não tem coragem de lidar com dor, também não tem legitimidade para falar de propósito.
✨ “Se o suicídio é o silêncio absoluto, sejamos o incômodo da escuta. Porque cada vida perdida arranca não só uma pessoa, mas a nossa própria humanidade, e isso nenhuma empresa deveria ter coragem de deixar barato.”

(*) Psicóloga, escritora e rebelde afetuosa do mundo corporativo — onde transforma silêncio em escuta e vulnerabilidade em potência. Com 25 anos de RH na bagagem, ela cria espaços onde até a meta sorri e o KPI pede um café.

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