Ana Luisa Winckler (*)
A ONU Mulheres tem razão: não existe paz sem igualdade de gênero.
Mas, convenhamos, o mundo corporativo ainda está no jardim do Éden, tentando entender quem comeu a maçã da liderança.
Enquanto mulheres seguem explicando por que não é “ajuda” quando um homem divide as tarefas, eles seguem em reuniões sobre “como incluir mais mulheres”, sem reparar que não é sobre incluir, é sobre coexistir.
A paz entre gêneros não começa numa resolução internacional.
Começa quando o “machão salvador” dá lugar ao homem inteiro, aquele que também sente, pede ajuda e aceita aprender.
E quando a “mulher guerreira” lembra que não precisa mais lutar sozinha pra provar o óbvio: que sua voz tem valor, mesmo sem capa de invisibilidade ou crachá dourado.
A nova revolução não é feminista versus masculinista.
É arquetípica.
É o momento em que a Guardiã da Intuição senta à mesa com o Herói que desaprendeu a vulnerabilidade, e eles finalmente conversam sem precisar vencer um ao outro.
Quer um exemplo real?
Paz é quando o gestor homem reconhece que chorar não é fraqueza, é descarga emocional.
Paz é quando a diretora entende que liderar não é imitar os homens, mas inspirar os humanos.
Paz é quando o casal divide não só o boleto, mas o silêncio.
E quando o time entende que equidade não é favor, é inteligência coletiva.
Se igualdade de gênero é pré-requisito para a paz, então precisamos urgentemente revisar o sistema operacional emocional de homens e mulheres.
Menos arquétipos de competição, mais arquétipos de cooperação.
Menos Adão culpando Eva, mais ambos cuidando do jardim juntos — antes que o planeta, o trabalho e os afetos virem um deserto.
Porque no fundo, o mundo não precisa de mais guerreiros.
Precisa de guardiões e guardiãs da paz – dentro e fora das salas de reunião.A paz começa quando a gente desarma o próprio gênero.
E permite que o humano volte a ser verbo, não ameaça.
(*) Psicóloga, escritora e rebelde afetuosa do mundo corporativo — onde transforma silêncio em escuta e vulnerabilidade em potência. Com 25 anos de RH na bagagem, é CEO da Prisma Consultoria, e cria espaços onde até a meta sorri e o KPI pede um café.
