494 views 3 mins

Quando Adão e Eva foram chamados para uma conversa de feedback

em A Outra Sala
terça-feira, 04 de novembro de 2025

Ana Luisa Winckler (*)

A ONU Mulheres tem razão: não existe paz sem igualdade de gênero.

Mas, convenhamos, o mundo corporativo ainda está no jardim do Éden, tentando entender quem comeu a maçã da liderança.

Enquanto mulheres seguem explicando por que não é “ajuda” quando um homem divide as tarefas, eles seguem em reuniões sobre “como incluir mais mulheres”, sem reparar que não é sobre incluir, é sobre coexistir.

A paz entre gêneros não começa numa resolução internacional.

Começa quando o “machão salvador” dá lugar ao homem inteiro, aquele que também sente, pede ajuda e aceita aprender.

E quando a “mulher guerreira” lembra que não precisa mais lutar sozinha pra provar o óbvio: que sua voz tem valor, mesmo sem capa de invisibilidade ou crachá dourado.

A nova revolução não é feminista versus masculinista.

É arquetípica.

É o momento em que a Guardiã da Intuição senta à mesa com o Herói que desaprendeu a vulnerabilidade, e eles finalmente conversam sem precisar vencer um ao outro.

Quer um exemplo real?

Paz é quando o gestor homem reconhece que chorar não é fraqueza, é descarga emocional.

Paz é quando a diretora entende que liderar não é imitar os homens, mas inspirar os humanos.

Paz é quando o casal divide não só o boleto, mas o silêncio.

E quando o time entende que equidade não é favor,  é inteligência coletiva.

Se igualdade de gênero é pré-requisito para a paz, então precisamos urgentemente revisar o sistema operacional emocional de homens e mulheres.

Menos arquétipos de competição, mais arquétipos de cooperação.

Menos Adão culpando Eva, mais ambos cuidando do jardim juntos — antes que o planeta, o trabalho e os afetos virem um deserto.

Porque no fundo, o mundo não precisa de mais guerreiros.

Precisa de guardiões e guardiãs da paz –  dentro e fora das salas de reunião.A paz começa quando a gente desarma o próprio gênero.

E permite que o humano volte a ser verbo, não ameaça.

(*) Psicóloga, escritora e rebelde afetuosa do mundo corporativo — onde transforma silêncio em escuta e vulnerabilidade em potência. Com 25 anos de RH na bagagem, é CEO da Prisma Consultoria, e cria espaços onde até a meta sorri e o KPI pede um café.