Neiva Dourado Martins Mendes (*)
Olá, queridos!
Esse texto nasce depois de muitas noites pensando. Quem fundou uma empresa há 8 anos, como nós da Blue6ix, e segue com ela viva, ativa, crescendo e contrariando as estatísticas brasileiras, sabe exatamente o que isso significa. Durante muito tempo, tocar uma empresa era quase como dirigir em uma estrada conhecida. Podia ter curva, buraco, um ou outro imprevisto… mas, no geral, dava para prever o caminho. Tínhamos maior previsibilidade para planejar, otimizar, controlar. Só que essa estrada mudou.
Hoje, o cenário se parece muito mais com um crash test da indústria automotiva. Pandemias, guerras, mudanças bruscas de mercado, rupturas na cadeia de suprimentos… aquilo que antes era exceção virou rotina. Não é mais “se” vai acontecer, é “quando”. E, mesmo assim, muitas empresas ainda reagem do mesmo jeito, tentando prever melhor, planejar mais, controlar tudo.
Só tem um problema nisso. Essa lógica parte da ideia de que dá para evitar o impacto, mas, hoje, o impacto não é evitável. Ele é inevitável. A indústria automotiva, por exemplo, já enfrentou esse dilema há décadas. Em vez de tentar eliminar completamente os acidentes, algo impossível de ser feito, ela mudou a pergunta. Parou de focar apenas em evitar colisões e passou a focar em sobreviver a elas.
Não é teoria. Segundo a NHTSA (National Highway Traffic Safety Administration), airbags frontais reduzem o risco de morte em colisões em cerca de 30%. Eles não evitam o acidente, mas podem mudar o desfecho. Foi assim que surgiram airbags, zonas de deformação e sistemas de proteção. Eles não existem para impedir o impacto. Existem para absorver o impacto.
Diante dessa comparação, vale a pergunta: sua empresa está mais parecida com um carro sem airbag ou com um carro preparado para a colisão? Porque o mundo em que a gente opera hoje não é uma estrada previsível, é um ambiente onde o impacto está cada vez mais presente no jogo, e cabe a nós aceitar e nos adaptar.
A pergunta a ser feita não é “como evitar crises”, é “quanto a sua empresa aguenta para não quebrar?” É duro pensar nisso, mas é necessário. Essa mudança já aparece no comportamento das pessoas. Os clientes estão mais cautelosos, menos dispostos a se expor, mais atentos ao risco. Querem flexibilidade, previsibilidade e respostas rápidas. E têm cada vez menos tolerância a falhas. Ou seja, o mundo ficou mais sensível e mais exigente ao mesmo tempo.
Só que muitas empresas continuam operando como se eficiência, sozinha, resolvesse o problema. Estruturas enxutas, no limite, sem folga, sem redundância. Isso podia até funcionar até certo ponto, mas hoje, pode ser exatamente o que torna a empresa frágil. Eficiência sem margem de erro é como um carro leve demais, rápido demais e sem proteção nenhuma. Funciona bem até a primeira batida. Mais de 1,3 milhão de pessoas morrem por ano em acidentes de trânsito no mundo. Não por falta de direção, mas por falta de proteção suficiente no momento do impacto.
Empresas mais preparadas para esse novo cenário não são as que só tentam evitar falhas. São as que conseguem absorver o impacto e seguir. Elas constroem alternativas, distribuem riscos e ganham agilidade para mudar de rota rapidamente. E, principalmente, não dependem de decisões lentas e centralizadas quando o problema já está acontecendo.
É exatamente para esse tipo de cenário que a Blue6ix foi construída. Flexível, antecipando riscos e respondendo com rapidez. Não como uma empresa que tenta prever tudo, mas como uma estrutura preparada para se adaptar, absorver impacto e seguir em movimento.
As crises vão acontecer, mas a questão é: o quão frágil é a sua empresa diante delas? Porque, hoje, muitas organizações não quebram por um grande evento. Elas quebram por uma sequência de pequenas pancadas, uma após a outra, sem tempo para se recompor, o que nos revela uma divisão bem clara.
De um lado, empresas que ainda acreditam que podem evitar o acidente. Do outro, empresas que já entenderam que o impacto faz parte e, por isso, se prepararam para ele. No fim das contas, seja qual for os desdobramentos das crises, é preciso se preparar para continuar inteiro depois da colisão.
(*) Presidente do Conselho e sócia-fundadora da Blue6ix Tecnologia ([email protected]).
