Pequenos produtores na guerra contra a pandemia

Roseli Silva (*)

Dentre os brasileiros que estão na linha de frente na verdadeira guerra travada contra a Covid-19 incluem-se os pequenos produtores de alimentos.

Eles cumprem missão crucial e decisiva para que os brasileiros enfrentem o gravíssimo problema que afeta toda a humanidade. Seu trabalho, dificultado pelo abalo sofrido por todas as cadeias de suprimentos e dificuldade de escoamento da produção, tem se constituído num heroico esforço de superação e tem sido crucial para a quase normalidade do abastecimento.

Para se ter uma ideia do significado desses brasileiros, somente no chamado Cinturão Verde de São Paulo, no entorno da Região Metropolitana, são cerca de 12 mil pequenos produtores. Essa região produtora é responsável por 25% da produção nacional de verduras e por 90% das verduras e 40% dos legumes consumidos na capital paulista. Sua proximidade com o maior mercado consumidor do País favorece o transporte, reduz as perdas e equilibra os preços.

Todos esses atributos serão ainda potencializados quando São Paulo tiver um novo e moderno entreposto de hortifrutigranjeiros, em substituição ao da Ceagesp, na Vila Leopoldina, que está obsoleto e sem condições operacionais adequadas em termos de infraestrutura, logística, boas condições de trabalho e outros problemas hoje enfrentados pelos produtores e comerciantes permissionários.

Porém, neste momento de enfrentamento da pandemia, a prioridade é a vida, cuja essência é o alimento. Portanto, os pequenos produtores, assim como os atacadistas e todo o pessoal do varejo da rede de abastecimento, transportadores e comerciantes do setor têm realizado um trabalho essencial para toda a sociedade.

No caso dos produtores, como de todos os que estão na linha de frente no combate ao novo coronavírus, é importante que tenham apoio em seu trabalho, que tem sido marcado por desprendimento, coragem e superação. Nesse sentido, seriam muito bem-vindas urgentes linhas de crédito, adequadas ao perfil de cada um, com juros baixos e prazos alongados de pagamento, para que pudessem fazer frente aos problemas que começam a se verificar no fluxo de pagamentos.

Outra medida relevante seria lhes garantir máscaras, luvas e álcool em gel, em falta no mercado, para que também possam proteger-se do contágio. A realização de testes rápidos para constatar se o produtor e seus colaboradores com sintomas estão ou não com a doença é outra providência fundamental, não só para os cuidados com sua saúde, mas também para se aquilatar se estão imunizados, podendo assim trabalhar com tranquilidade e cumprir seu imprescindível papel.

Esses guerreiros não podem e não irão parar. Seu trabalho é parte expressiva da comercialização mensal de 283 mil toneladas ou 3,4 milhões anuais de hortifrutigranjeiros na Grande São Paulo, também com reflexos no abastecimento do interior paulista e outros estados brasileiros.

É pertinente, portanto, que, além do reconhecimento da sociedade, como já vem ocorrendo, tenham um mínimo apoio do setor público.

(*) – É diretora de implantação do Nesp (Novo Entreposto de São Paulo).

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