Vinícius Cordoni (*)
A transformação digital trouxe uma nova lógica para a visibilidade das marcas. Se antes um dos objetivos do PR era garantir espaço em jornais, revistas e portais, hoje essa presença se tornou condição básica para existir nos ecossistemas de recomendação mediados por inteligência artificial.
Estudos recentes mostram que a ascensão do Generative Engine Optimization (GEO) e do Answer Engine Optimization (AEO) está redefinindo o papel das relações públicas. Um estudo da Gartner projeta que, até 2027, cerca de 25% das buscas tradicionais serão substituídas por interações com sistemas generativos, enquanto uma pesquisa da Capgemini revelou que 58% dos consumidores já utilizam IA para descobrir produtos e 64% confiam em recomendações automatizadas para decisões de compra. Esses números evidenciam que a disputa pela atenção não acontece mais apenas nas páginas da imprensa, mas nas respostas que os algoritmos entregam aos usuários.
Nesse cenário, estar posicionado na imprensa deixou de ser diferencial e passou a ser obrigação. A lógica é simples: se a marca não aparece em veículos de credibilidade, ela não será reconhecida como fonte legítima pelos sistemas de IA. O GEO e o AEO dependem de autoridade temática e consistência narrativa, e essa autoridade é construída, em grande parte, pela presença na imprensa. Em outras palavras, não basta investir em SEO ou em campanhas digitais; é preciso consolidar reputação em espaços que validam a informação. A imprensa continua sendo o selo de legitimidade que alimenta os algoritmos, e sem esse lastro, a marca corre o risco de ser invisível nas novas formas de busca.
No Brasil, uma pesquisa da Universidade Federal de Santa Maria, realizada em 2026, reforça que a adoção da IA é ampla e frequente, mas que os ganhos estratégicos só se concretizam quando há base sólida de reputação. O Congresso Brasileiro de Comunicação Pública, também em 2026, destacou que ferramentas como ChatGPT e Gemini ampliam eficiência e acessibilidade, mas alertou para os riscos de desinformação e datificação excessiva, reforçando a necessidade de governança algorítmica. Esses estudos convergem para a mesma conclusão: sem credibilidade, não há recomendação, sem recomendação, não há visibilidade.
É nesse ponto que a assessoria de imprensa assume um papel renovado. Ela não é mais apenas ponte entre empresa e jornalista, mas interface entre marca, dados e tecnologia. O trabalho de relações públicas passa a ser arquitetar reputação em ambientes digitais, garantindo que narrativas sejam consistentes, dados estejam disponíveis e a marca seja percebida como fonte confiável. O clipping tradicional se transforma em painel de reputação digital, e o sucesso não se mede mais pelo número de publicações, mas pela capacidade de ser citado em respostas automatizadas. Estar na imprensa é o primeiro passo, ser reconhecido pela IA é a consequência.
Estamos diante de uma mudança estrutural. A assessoria de imprensa deixou de ser mediadora de relacionamentos e se tornou infraestrutura estratégica para a visibilidade das marcas. Quem não estiver posicionado em veículos de credibilidade simplesmente não será recomendado por sistemas de IA. O futuro das relações públicas não será definido apenas pela habilidade de contar boas histórias, mas pela capacidade de transformar essas histórias em autoridade reconhecida por algoritmos. Nesse novo cenário, a imprensa continua sendo o alicerce da reputação, e a assessoria de imprensa, mais do que nunca, é o motor que conecta marcas ao ecossistema digital da era do GEO e do AEO.
(*) Co-CEO e fundador da VCRP.
