
Nascido em 1932, Jerry Merryman desde muito cedo interessou-se pela eletrônica; aos 11 anos já trabalhava em uma oficina de conserto de rádios.
Vivaldo José Breternitz (*)
Na oficina, existia um exemplar do livro “Radio Engineering”, de Frederick Terman, um professor da Stanford University que é considerado um dos pais do Vale do Silício. Merryman “devorou” o livro, a ponto de citá-lo frequentemente até o fim de sua vida.
Marryman vivia em Hearne, uma pequena cidade do Texas, e, ainda menino, era muito comum ser procurado pela polícia local quando um de seus rádios apresentava problemas.
Em 1963, foi contratado como engenheiro pela Texas Instruments, mesmo sem ter curso superior. Dois anos mais tarde, a empresa juntou-o a dois outros engenheiros, Jack Kilby e James Van Tassel e deu-lhes uma missão: projetar uma calculadora eletrônica (que a empresa chamou de régua de cálculo eletrônica) que fosse portátil e acionada por uma bateria recarregável – isso ainda não existia no mercado!
Em três dias (e três noites, como disse mais tarde) Merryman projetou a máquina, baseada em circuitos integrados inventados por Kilby, que no ano 2000 ganharia o Nobel de Física.
Só dois anos depois, em 1967, o projeto foi transformado em um produto: uma máquina chamada CalTech, que pesava 1,3 quilos, media 4 x 6 polegadas e não tinha tela; os resultados dos cálculos eram impressos em papel térmico, como nas máquinas de cartões de crédito. A impressão térmica também foi inventada por Merryman.
A máquina fazia apenas as quatro operações, e no lançamento custava US$ 400, cerca de US$ 4 mil atuais!
Merryman disse que à época acreditava apenas estar criando um novo tipo de calculadora, só mais tarde percebendo que estava dando início a uma revolução na área de equipamentos eletrônicos. No dia seguinte à sua aposentadoria em 1994, a Texas trouxe-o de volta como consultor
Seu colega na empresa, Vernon Porter, disse: “tenho um Ph.D. em ciência de materiais, conheço centenas de cientistas, professores, vencedores do Prêmio Nobel etc., mas Jerry Merryman foi o homem mais brilhante que conheci”.
Colegas o descreviam como brilhante, com memória prodigiosa e muito senso de humor, além de ser generoso em compartilhar conhecimento. Faleceu em 27 de fevereiro 2019.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].




