Felicidade no trabalho não pode acabar no trânsito

Jacob Rosenbloom(*)

São infinitas as abordagens e discussões sobre como melhorar a qualidade de vida nas grandes cidades.

Alguns estudos comprovam que as questões que causam maior impacto na felicidade de uma população estão intimamente ligadas à habitação, infraestrutura urbana, transporte e trânsito. Desta vez, vou me ater sobre o sentimento de quem vive nas capitais brasileiras e tem que enfrentar o trânsito caótico de casa até o trabalho todos os dias. Não se trata apenas das longas horas perdidas, as emissões de poluentes, o estresse ocasionado pelas longas filas nos terminais de ônibus e os tumultos nas estações de metrô, além da poluição sonora, afetam gravemente a saúde do trabalhador.

Apesar das amplas pesquisas, a aplicação de soluções de melhoria segue lentamente de forma que se torna quase impossível equalizar crescimento e sustentabilidade urbana.
Prova disso é o aumento médio de 15% ao ano no tempo gasto por motoristas que enfrentam congestionamentos diariamente. E o princípio da qualidade de vida, do ponto de vista da locomoção, está exatamente no que se refere à mobilidade urbana sustentável. Um conjunto de políticas que visam o acesso democrático ao espaço urbano, tomando como base as pessoas e não os veículos.

Tal ótica busca avaliar circunstâncias como acesso aos lugares onde as oportunidades de emprego estão concentradas, condições para se locomover por meios não-motorizados -no caso de ciclovias, por exemplo, a qualidade da pavimentação, sinalizações e segurança-, questões relativas à circulação de pedestres e pessoas com necessidades especiais, transporte público, dentre outras.

O principal objetivo é repensar a locomoção na cidade. Os problemas estão expostos para quem quiser ver e vivenciar. Algumas soluções ainda estão em desenvolvimento e outras se propagam com velocidade. Entre elas, o georrecrutamento, um conceito que está se expandido pelo mundo e ganhando cada vez mais adeptos e apoiadores no Brasil. Trata-se de um sistema que permite que empresas recrutem profissionais próximos da sua localização.

Pesquisas com base em nosso banco de dados demonstram que o nível de satisfação daqueles que trabalham próximo de sua residência aumentou, já que o trabalhador acaba tendo mais tempo para cuidar de assuntos pessoais. Para a empresa, o resultado é convertido em menos rotatividade, maior produtividade e, consequentemente, redução de custos.

A discussão sobre a qualidade de vida das pessoas por meio da mobilidade deve estar na agenda positiva de empresários, entidades governamentais e de toda a sociedade. A solução será construída diariamente, com ações compartilhadas por todos, e por meio de uma gestão democrática que facilite o acesso ao trabalho e aos espaços públicos. A felicidade é relativa, mas deve ser uma busca constante, já que pode ser encontrada em qualquer lugar, inclusive em um trânsito melhor.

(*) – É CEO da Emprego Ligado.

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