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Economia circular no enfrentamento da emergência climática

em Artigos
quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Edson Grandisoli (*)

Em 2024, o planeta registrou a temperatura média global mais alta já documentada, superando pela primeira vez um aumento de 1,5 °C em relação aos níveis pré-industriais, deixando para trás o Acordo de Paris.

De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), a temperatura média global no ano passado foi de, aproximadamente, 1,55 °C acima dos níveis pré-industriais, consolidando-se como o ano mais quente já registrado.

Esse aumento na temperatura, apesar de parecer pequeno, tem colaborado para o aumento significativo da frequência e intensidade de eventos extremos climáticos, incluindo, por exemplo, as inundações no Rio Grande do Sul e, mais recentemente, os incêndios florestais devastadores em Los Angeles.

Dessa forma, a estabilização e redução da temperatura do planeta, na busca por estabilidade climática, pode ser considerado o principal desafio socioambiental da atualidade, e requer mudanças sistêmicas e orquestradas em todos os setores das sociedades rapidamente.

Um dos caminhos apontados por diferentes especialistas é repensarmos e reorganizarmos globalmente o modelo linear de economia, pautado no trinômio “extrair, produzir e descartar” – que já provou sua insustentabilidade socioambiental -, considerando um modelo no qual o reaproveitamento de materiais e a regeneração se colocam como principais objetivos. Estamos falando aqui da Economia Circular.

A economia circular é um modelo econômico que estimula a reestruturação de todo o sistema atual de extração, produção, consumo e descarte, buscando:

  1. – Maximizar o uso eficiente de recursos;
  2. – Minimizar o desperdício;
  3. – Criar design para a reciclabilidade, reparabilidade e reaproveitamento;
  4. – Bubuscar a redução do consumo e o consumo consciente;
  5. – Reduzir a quantidade de resíduos e;
  6. – Estimular o uso de energias renováveis em todos os segmentos.

Essa abordagem holística reduz a pressão sobre os ecossistemas e age diretamente para o enfrentamento da emergência climática, pois colabora para a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE).

A complexidade e escala do desafio climático demandam, portanto, ações urgentes e que envolvam (e garantam participação) todos os setores das sociedades. Ou seja, colaboração, diálogo, corresponsabilização e criatividade são essenciais para as mudanças que todos precisamos no presente para o futuro.

E a economia circular tem se mostrado como um caminho prático, possível e necessário para aliar o desenvolvimento socioeconômico à manutenção da qualidade do clima do planeta.

(*) É Coordenador pedagógico do Movimento Circular (https://movimentocircular.io/).