Como manter o time engajado

Pedro Signorelli (*)

Engajamento é um tema nevrálgico, em tudo e para tudo.

Quando você é um empreendedor e trabalha sozinho, como no meu caso, precisa se manter o tempo todo engajado, este processo parece ser simples, mas já tem a sua própria dificuldade. À medida que aumenta a quantidade de pessoas trabalhando em torno de uma agenda, a própria compreensão da agenda e as motivações em torno dela aumentam a complexidade do processo.

Por isso, há diferentes formas de engajar o time, como também, de mantê-lo engajado. Quanto maior for a empresa, mais alto tende a ser o nível de complexidade, mas todas as empresas encontrarão algum nível de complexidade.
O engajamento e o envolvimento da equipe são primordiais para o sucesso de qualquer implementação, seja em projetos corporativos ou na vida pessoal.

Com os OKRs não seria diferente. O OKR deveria ser parte dos artefatos de engajamento dos times naturalmente, mas especialmente em tempos de home office, imposto pelas restrições sociais adotadas para o combate à pandemia. O framework funciona muito bem de maneira assíncrona, ainda que exija um mínimo de encontro do time. Quando objetivos e resultados-chave estão bem definidos, o time pode trabalhar com muita autonomia tendo em vista o resultado pactuado esperado ao final do ciclo.

Assim, se contrapõe em boa medida ao modelo de gestão baseado em comando e controle, onde se limita muito a autonomia das pessoas e se favorece a microgestão, ou seja, cada um se sente à vontade para agir como entender.
O OKR engaja o time porque, se o desenvolvimento é bem feito, ele participa do processo de construção das metas de negócio. No início de um determinado ciclo, as prioridades são definidas em conjunto, não só pela liderança e depois cascateada.

São priorizados os temas, escolhe-se qual ponto vai atacar e se define o que será considerado sucesso, quais são as evidências de que o objetivo foi atingido, ou seja, os resultados-chave. Sim, é possível que a equipe desvie ou até mesmo perca o foco no meio do processo. Os times vivenciam estas situações por diferentes motivos: um, porque começam a definir OKRs em coisas que antes não davam atenção, sem deixar de fazer as outras coisas que já estavam fazendo. Dois, porque simplesmente não priorizam e se dedicam àquilo que é mais importante no momento.

Portanto, é primordial ter a disciplina de acompanhamento sobre o que foi pactuado como prioridade no início do ciclo. Novas ações devem ser priorizadas na medida em que ajudam a entregar o objetivo de forma geral. Primeiro, entenda que é possível e aceito errar, em segundo lugar, aceite errar mais um pouco, isso ocorrerá praticamente ao longo do primeiro ano. Claro, haverá acertos também, mas é importante ter claro que é preciso perseverar durante alguns ciclos, empenhando muitas horas para encontrar o jeito correto de a organização se beneficiar da implementação.

O OKR tem por premissa os ciclos curtos, ou seja, quando perceber o erro você já terá a possibilidade de corrigi-lo mais rápido se o ciclo fosse longo. A gestão e a execução da estratégia passam necessariamente pelas pessoas e, então, esta é uma agenda que está intimamente ligada à cultura da empresa. No início os OKRs respeitam a cultura para, ao longo dos ciclos, ir alterando-a se o programa vai sendo bem sucedido. É necessário que o processo implementado integre os dois.

Ainda mais nos tempos de hoje, é preciso replanejar com mais frequência do que antigamente e a execução precisa ser ajustada tão logo se tenha um novo planejamento, por isso é necessário comunicar rapidamente as eventuais mudanças de direção nos rumos da organização.

O OKR facilita a comunicação entre as pessoas, assim, a ausência de alguém da agenda profissional por problemas pessoais, por exemplo, facilita aos que ficam reajustar a rota com base em limitação de recursos, competências disponíveis e, se for o caso, em repactuar metas. A equipe que sabe como seu trabalho contribui para a estratégia da empresa, por participar do processo de construção e estar alinhada às prioridades, trabalha de maneira mais engajada e alcança melhores resultados.

O uso de um modelo de gestão com OKRs é capaz de fazer com que a companhia seja mais eficaz em atingir seus objetivos, tenha colaboradores mais engajados e felizes e, acima de tudo, proporciona uma mudança cultural de crescimento constante muito importante para o seu negócio.

(*) – Com experiência no mercado corporativo, é especialista na implementação do método OKR. Fundou a Pragmática Consultoria em Gestão, objetivando ajudar organizações em suas jornadas de transformação (www.gestaopragmatica.com.br).

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