
O PIB do agronegócio brasileiro tem 24% de origem em SP
Redação
O Brasil, conhecido como o celeiro do mundo, tem produção, técnicas de plantio e terras, sendo hoje o maior exportador de alimentos. Portanto, não faz sentido importar tecnologia, precisamos desenvolvê-la aqui, enfatizou Gastón Díaz Pérez, CEO da Bosch América Latina. Ao lado colega Ana Repezza, da CropLife Brasil, Pérez defendeu marcos regulatórios e atualizações legais para que o esforço não se perca. Luiz Masagão, VP da B3, afirmou que o mercado de capitais tem a proposta de apoiar o avanço do agronegócio brasileiro, conectando produtores e empresas aos recursos necessários para o setor. As pontuações ocorreram durante o 25º Congresso da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), no qual foi entregue ao vice-presidente Geraldo Alckmin uma Agenda Estratégica da Agroindústria Brasileira. Para a senadora Tereza Cristina, o agro precisa ser tratado como política de Estado pelos próximos governos.
A questão do seguro é um assunto antigo. De acordo com a senadora Tereza Cristina (PP-MS), o Projeto de Lei (2.951/2024), de sua autoria, que reformula o marco legal do seguro rural no Brasil, prevendo maior previsibilidade orçamentária para a subvenção pública do prêmio, taxas de juros menores e prioridade no crédito rural para produtores que contratarem o seguro rural, deverá tramitar, nesta semana, em regime de urgência no Senado. Além deste, existem outros problemas, como acesso ao crédito por todos agricultores e, também, a falta de mão de obra. “O dinheiro é caro, muitas vezes inacessível”, apontou Geraldo Melo Filho”, secretário estadual da Agricultura.

Quando o assunto é seguro rural, Monique Cardoso, superintendente de Sustentabilidade da CNseg, enxerga o cenário preocupante. “São menos de 100 mil produtores rurais com seguro no Brasil, em um momento de eventos climáticos extremos mais frequentes e intensos”. Para ela, o seguro pode funcionar como instrumento para avaliar riscos e incentivar práticas mais sustentáveis.
Financiamento
O mercado de capitais não poderia ficar de fora do tema. “É necessário capacitar o produtor para compreender a análise de crédito e, ao mesmo tempo, fazer com que os agentes do mercado financeiro conheçam melhor a dinâmica da atividade dentro e fora da porteira, inclusive para identificar quais instrumentos de seguro são mais adequados para cada risco”, afirmou Flávia Palacios, diretora da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA). Já Luiz Masagão, vice-presidente de Produtos e Clientes da B3, a Bolsa do Brasil, garantiu que o mercado de capitais tem “a proposta de apoiar o avanço do agronegócio brasileiro, conectando produtores e empresas aos recursos necessários para o setor”. E ilustrou: até junho, as emissões de Cédulas de Produto Rural (CPR) somavam R$ 470 bilhões, enquanto as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) alcançavam R$ 560 bilhões, os Certificados de Recebíveis do Agro (CRA), R$ 170 bilhões, e os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) ultrapassavam R$ 30 bilhões. Sobre a gestão de riscos, o executivo da Bolsa destacou a necessidade de avanço na precificação de commodities no mercado brasileiro, hoje fortemente influenciada por referências internacionais.

Geopolítica
“Chegar a um quarto de século representa a maturidade de uma instituição que tem como missão antecipar tendências, compreender os grandes movimentos globais e contribuir para a construção de uma visão estratégica de longo prazo para o Brasil”, comentou o empresário Ingo Plöger, presidente da ABAG. Lembrou que o Brasil construiu, nas últimas décadas, um agronegócio “pujante e protagonista” e o próximo passo é ‘participar da construção das novas regras internacionais, agregando valor, criando mercados e contribuindo para um mundo mais sustentável”.
Na prática, isto equivale a dizer que o Brasil precisa se preparar para um novo ambiente geopolítico sem abrir mão de sua capacidade de dialogar pragmaticamente com diferentes parceiros. “A estrutura multilateral criada no pós-guerra, incluindo instituições como a OMC, perdeu parte de sua capacidade de refletir a atual distribuição de poder. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos continuam sendo uma potência central, enquanto a China mantém sua trajetória de expansão”, explicou Alexandre Parola, embaixador do Brasil no Reino do Marrocos, durante a Mesa Redonda O Agro na Geopolítica. “A segurança estratégica passou a influenciar cada vez mais as decisões econômicas e comerciais das grandes potências. Para o Brasil e o agronegócio, essa realidade abre oportunidades, mas também exige adaptação”, afirmou.
Já o diplomata e especialista em geopolítica Braz Baracuhy observou que o país mantém interesses comuns com diferentes potências e também oportunidades de relacionamento com outras regiões do mundo. Ele defendeu uma combinação entre a capacidade da iniciativa privada e uma política de Estado.

Desafios
O temível El Niño, fenômeno climático que altera a circulação dos ventos e produz o aquecimento as águas do Pacífico, influenciando o regime de chuvas, foi objeto de várias considerações e alertas. A questão dos fertilizantes também mereceu destaque, até porque o Brasil os importa (85% do que necessita) e seus custos, com a guerra do Oriente Médio e da Ucrânia, por exemplo, elevam-se de maneira inquestionável. Para se ter ideia, somente a ureia (um dos fertilizantes adquiridos) subiu 60% neste ano. O Brasil desenvolve fábricas de nitrogenados, visando a produção de ureia e amônia.
De acordo com Geraldo Alckimin, o Brasil bateu recorde de exportação no ano passado e deverá fazê-lo novamente neste ano. Quem foi ao Congresso da ABAG saiu com a sensação de que as condições estão postas e os desafios são conhecidos; agora é promover ajustes finos para que o país continue na vanguarda do agronegócio.
MP deve ampliar créditos para financiamento do agronegócio no país | Jornal Empresas & Negócios


