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Governança que gera valor

em Denise Debiasi
segunda-feira, 27 de julho de 2026

Recentemente li uma análise sobre as perspectivas do mercado de fusões e aquisições no Brasil em 2026. Os números chamam atenção. O volume financeiro das transações voltou a crescer, investidores estrangeiros retomam o interesse pelo país e muitas negociações que estavam paradas retornaram à mesa. Em um primeiro olhar, a discussão parece restrita ao universo financeiro. Mas, para mim, a principal mensagem está em outro lugar.

O que mais me chamou a atenção foi a constatação de que governança, compliance e transparência deixaram de ser diferenciais para se tornarem pré-requisitos. Em outras palavras, as empresas não são avaliadas apenas por seu faturamento, sua rentabilidade ou suas perspectivas de crescimento. Elas também são avaliadas pela forma como são administradas.

Essa mudança revela uma transformação importante na relação entre ética e valor empresarial. Durante muito tempo, algumas organizações enxergaram programas de compliance e estruturas de governança como centros de custo ou exigências burocráticas. Hoje, o mercado demonstra que essas práticas possuem impacto direto na capacidade de atrair investidores, conquistar parceiros e realizar negócios estratégicos.

A reportagem destaca que compradores estão cada vez mais atentos a aspectos como demonstrações financeiras organizadas, contratos formalizados, controles internos consistentes e independência da gestão em relação ao fundador. Na prática, isso significa que empresas que cultivam uma cultura de integridade chegam às negociações em posição mais favorável do que aquelas que operam com processos informais ou dependem exclusivamente da confiança pessoal de seus dirigentes.

Essa realidade traz uma reflexão interessante. Muitas vezes associamos ética a decisões morais complexas ou a situações de crise. No entanto, a ética corporativa também se manifesta em escolhas cotidianas: manter registros corretos, documentar processos, cumprir compromissos assumidos e garantir transparência nas relações com stakeholders.

Percebo que existe uma conexão cada vez mais evidente entre reputação e valor econômico. Investidores não compram apenas ativos ou projeções financeiras. Eles compram previsibilidade. E previsibilidade nasce da confiança. Quanto maior a confiança de que uma empresa opera de forma íntegra e transparente, menor a percepção de risco e maior a disposição do mercado em investir nela.

Outro aspecto interessante é que essa tendência não se limita às grandes corporações. Empresas de médio porte também passaram a ser cobradas pelos mesmos padrões de governança. Isso mostra que a integridade deixou de ser uma pauta exclusiva de companhias listadas em bolsa ou de organizações multinacionais. Ela se tornou uma expectativa do mercado como um todo.

Para você que atua em cargos de liderança, a mensagem é bastante clara. A construção de uma empresa preparada para crescer, captar investimentos ou participar de processos de aquisição começa muito antes de qualquer negociação. Ela começa na cultura organizacional, nos controles internos e no compromisso diário com a transparência.

Ao final, acredito que a principal lição do atual ciclo de fusões e aquisições é simples: empresas valiosas não são apenas aquelas que geram resultados financeiros consistentes. São aquelas que conseguem demonstrar, de forma confiável, como esses resultados são alcançados. E essa continua sendo uma das mais importantes funções da ética dentro das organizações.

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Denise Debiasi é CEO da Bi2 Partners, reconhecida pela expertise e reputação de seus profissionais nas áreas de compliance e inteligência investigativa, finanças corporativas, consultoria regulatória (AML, BSA e LGPD), contabilidade forense, Due Diligence (financeiro, reputacional, investigativo e operacional), investigações corporativas, antilavagem de dinheiro, FCPA e anticorrupção, entre outros serviços de primeira importância em mercados emergentes.

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