
Falta de integração entre canais e setores contribui para burnout, desengajamento e decisões lentas — e pode custar milhões ao negócio
O recém-lançado relatório “Tendências em Gestão de Pessoas 2025”, do Great Place to Work (GPTW), mostra que a tríade de maiores desafios para o RH atualmente são comunicação interna (33%), saúde mental (32%) e desenvolvimento de lideranças (31%). Outras citações que alcançaram o top 10 incluem manutenção da cultura organizacional (22%), redução de turnover (20%) e engajamento (19%). Grande parte, senão todas as dificuldades por trás da lista podem ser combatidas com processos integrados e estratégicos de comunicação.
É o que afirma Andréa Migliori, CEO do ecossistema de experiência do trabalho Workhub. “Há uma razão para a comunicação interna ocupar o primeiro lugar na pesquisa. Ela tem o poder de estruturar ou desestruturar a organização inteira, de acordo com o modo como é conduzida”, salienta.
O principal segredo, de acordo com a especialista, está na integração. Ela evita a sobrecarga informacional e a fragmentação dos dados, o que, por sua vez, leva a menos estresse e mais produtividade. “Não é sobre falar mais, é sobre comunicar com estratégia e propósito. Times que precisam navegar em dezenas de canais para encontrar o básico perdem velocidade e energia e, pior ainda, se desgastam emocionalmente”, conta a CEO. “Se a comunicação estiver centralizada e integrada entre todos os setores e cargos da empresa, todo mundo perderá menos tempo em busca das informações certas e mais tempo trazendo valor para o negócio”.
Andréa não é a única a falar sobre o assunto. Uma pesquisa da McKinsey aponta que as pessoas gastam 1.8 horas por dia no trabalho procurando e coletando dados, o que equivale a uma média de 9.3 horas por semana. Já o relatório “IDC’s Information Worker Survey”, focado em profissionais de áreas de conhecimento, indica que são 2.5 horas diárias perdidas nesse processo.
Assim, é possível enxergar a relação entre uma comunicação eficaz e a redução do estresse por excesso de fontes desconectadas, o que afeta a saúde mental e os resultados do time. E quanto aos outros desafios?
“O desenvolvimento de lideranças deve ser abordado também com uma comunicação clara, tanto no que diz respeito a treinamentos quanto no modo como líderes conversam com suas equipes”, explica Migliori.
Já a cultura organizacional e o engajamento são impactados de maneiras semelhantes. A comunicação constante e estruturada promove a sensação de pertencimento e deixa transparente as visões da companhia, o que facilita o alinhamento entre todos os envolvidos. Conteúdos exclusivos e úteis para os diferentes departamentos da empresa também auxiliam no engajamento. Por fim, a união de todos esses fatores tende a melhorar as taxas de retenção de talentos.
“A comunicação interna integrada permite inúmeras possibilidades que tanto ajudam no dia a dia quanto abrem uma conexão próxima entre todas as partes da empresa, das lideranças às pessoas estagiárias. Com apoio tecnológico, então, como o uso de People Analytics, ela pode até mesmo indicar exatamente o que está ou não dando certo, com métricas como consumo de conteúdo ou taxa de adoção de canais. É só uma questão de aproveitar os benefícios e enxergar as oportunidades”, conclui Andréa.

