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Empreender em tempos de tarifaço

em Destaques
segunda-feira, 28 de julho de 2025

De acordo com dados atualizados do Mapa de Empresas do Governo Federal, o Brasil registrou em junho de 2025 a abertura de 386 mil novos negócios, sendo que 73% deles foram formalizados em menos de 24 horas. Atualmente, o país conta com 23,7 milhões de empresas ativas, o que reforça a importância do empreendedorismo nacional.

No entanto, a grande questão está em como empreender em um cenário marcado por juros elevados, inflação persistente e a retração do consumo em algumas faixas de renda. O especialista Fernando Lamounier, educador financeiro e sócio diretor da Multimarcas Consórcios, revela que a solução está no planejamento financeiro. “Em um cenário econômico cada vez mais desafiador, o comerciante que entende de finanças tem mais chances de sobreviver e crescer. Planejamento financeiro não é luxo, mas, sim, uma necessidade. Quem separa o emocional do racional na hora de gerir o caixa, fazer investimentos e construir reservas, está se preparando para o futuro com mais solidez e menos improviso”.

Segundo o relatório Global Entrepreneurship Monitor (GEM), mais de 90 milhões de brasileiros já empreendem ou planejam empreender até o fim de 2025, colocando o Brasil em sexto lugar no ranking de países com a maior Taxa de Empreendedores Estabelecidos, ficando à frente do Reino Unido, Itália e Estados Unidos.

Diante disso, o especialista separou 6 dicas para quem está pensando em abrir um negócio e precisa redobrar os cuidados financeiros.

  1. Planeje seu negócio já prevendo o impacto do “tarifaço”: os aumentos nos custos de energia, combustíveis e insumos afetam diretamente o orçamento do seu negócio. Por isso, calcule bem os custos fixos e as variáveis, incluindo essas altas recentes, para definir preços realistas desde o começo.“O comerciante que está começando precisa estar atento ao aumento dos custos para não subestimar as despesas e acabar no prejuízo logo no início”, alerta Fernando Lamounier.
  2. Tenha uma reserva financeira para imprevistos: o cenário econômico está instável e pode haver surpresas. Separe um valor para emergências que cubra pelo menos 3 meses das despesas iniciais, isso ajuda a evitar dívidas e garante mais tranquilidade.
  3. Separe finanças pessoais e empresariais desde o início: sempre mantenha contas separadas. Isso facilita o controle do que realmente pertence ao negócio e evita confusões que podem comprometer a saúde financeira da empresa. “Misturar contas é um erro grave que dificulta o entendimento real da saúde financeira do negócio, especialmente para quem está começando”, explica o especialista.
  4. Negocie prazos e custos com fornecedores antes de fechar contratos: Negociar é uma necessidade e pode ajudar a equilibrar o caixa nos primeiros meses. Converse sobre prazos de pagamento, descontos e condições especiais para o início das operações.
  5. Defina metas financeiras claras e realistas: ao criar um negócio é preciso estabelecer objetivos, como faturamentos mensais, controle de despesas e percentual de lucro esperado. Definir metas auxilia o comerciante a manter o foco e tomar decisões mais conscientes para o seu negócio. “Negócios não são geridos no escuro. Planejar é essencial para transformar sonhos em resultados concretos”, diz Fernando Lamounier.
  6. Avalie cada investimento: evitem compras por impulso ou investimentos que não tenham retorno garantido no curto ou médio prazo. Em um cenário com aumento de custos e incertezas, priorize o essencial e o que vai trazer receita. “Investir não é gastar. Antes de aplicar qualquer valor, calcule o retorno esperado para evitar prejuízos que podem comprometer o negócio”, finaliza o especialista.