Volta às aulas: 2022 será um ano de readaptação tecnológica para a educação brasileira

A agilidade na adaptação foi uma característica fundamental para que as instituições de ensino privadas brasileiras pudessem seguir em atividade apoiando milhões de alunos a não perderem o ano letivo em meio ao cenário desconhecido imposto pela pandemia.

Eduardo Pires (*)

A O Censo Escolar, feito pelo Inep com o ano base de 2020, constatou que devido ao cenário adverso 99,3% das escolas brasileiras suspenderam as atividades presenciais; sendo que pouco mais de 53% das escolas públicas mantiveram o calendário escolar, enquanto 70% das instituições privadas seguiram com o cronograma previsto.

Para isso, diversos recursos tecnológicos precisaram ser implementados. O objetivo era que alunos, professores e a própria instituição seguissem ativos da melhor maneira possível. As instituições de ensino promoveram treinamentos e os investimentos em tecnologia foram inevitáveis: fornecimento de dispositivos eletrônicos e outros insumos para que os professores pudessem ministrar as aulas de forma remota, criar ou fortalecer os canais de comunicação entre instituição, pais e alunos e, ainda, adotar plataformas e softwares para a realização das aulas e avaliações online.

Com o avanço do calendário de vacinação durante 2021, secretarias da educação e governos estaduais puderam decretar o retorno definitivo das aulas presenciais. Agora uma nova fase se inicia e as instituições de ensino precisam – novamente – se adaptar a um modelo de ensino e alunos muito mais digitais, em paralelo ao planejamento das atividades de 2022.

A tendência é que grande parte das tecnologias e recursos digitais implementados no período de ensino remoto devem seguir em uso, agora também com novas finalidades. As instituições de ensino que adotaram plataformas para aulas online possuem alguns recursos adicionais, como a viabilização de trabalhos extracurriculares e atividades de apoio como um conteúdo assíncrono para os estudantes. Dessa forma, os professores conseguem combinar o ensino presencial e a fixação da matéria por meio de tarefas remotas.

Muitas ferramentas também possuem sistemas de avaliação à distância, que foram fundamentais desde março de 2020 e que ainda podem servir para a realização de simulados e exames preparatórios. No caso do ensino superior, muitas instituições adotaram plataformas de avaliação à distância, tanto para atividades dos alunos matriculados, como também para os processos de ingresso de novos alunos. E, agora, independentemente do cenário, poderão utilizar essa ferramenta para aplicar provas de admissão a candidatos de outras localidades do país, sem necessidade de presença física.

Outra vantagem da adoção de soluções tecnológicas para avaliação à distância é a segurança que proporcionam às instituições, já que é possível configurar padrões de proteção necessários para cada tipo de exame. Um exemplo é a realização de um vestibular, no qual pode ser exigido o uso da webcam, por exemplo, permitindo que, em suspeita de fraude, seja possível acessar o material gravado. Ainda sobre segurança, essas soluções ativam cookies e pop-ups que bloqueiam o acesso a outras páginas da web durante a prova; assim como oferecem a possibilidade de ter relógios, que garantem a realização da prova em um tempo pré-determinado.

Um recurso que foi adotado e que seguirá sendo utilizado pelas instituições de ensino são as secretarias digitais – que, para o Ensino Superior, tem entrada obrigatória até abril de 2022, segundo a Portaria 315/18. Esse tipo de ferramenta faz com que alunos e instituições consigam solicitar documentos e outros materiais, assim como trocar informações, de forma rápida e segura. Além disso, as secretarias digitais também poupam o tempo de deslocamento e espera local dos estudantes, por meio de protocolos e trocas de mensagens virtuais, que têm sido bem aceitas pelos alunos.

O MEC instituiu, ainda em 2018, a adoção do diploma digital para as instituições de ensino superior. No entanto, a partir de 2022 esse tipo de certificado será obrigatório. O diploma digital funciona e possui as mesmas atribuições que o documento em formato físico, mas veio para simplificar o processo de emissão, reduzindo o tempo de 120 para até 15 dias – de acordo com o próprio MEC. Além disso, o documento na versão digital permite o fácil acesso do estudante, da instituição e do próprio ministério. Esse tipo de certificado também possui validações e chancelas virtuais, como carimbo do ICP-Brasil, para garantir e evitar a falsificação e possíveis fraudes ao documento.

Outro ponto que vale estar no radar das instituições são as ferramentas para facilitar o pagamento de mensalidades. Já há no mercado opções para deixar os boletos no passado e tornar os pagamentos com cartão de crédito ou PIX uma realidade para pais, alunos e instituições. Além de melhorar a experiência do pagador, a tecnologia também é uma arma poderosa para combater a inadimplência, uma dor bastante comum no setor da Educação, sobretudo durante a pandemia.

Fato é que as instituições de ensino passaram por uma grande transformação nos últimos dois anos, implementando soluções e tecnologias que antes eram uma realidade distante do ambiente educacional. A consequência foi a transformação no ensino, com a adaptação de professores e alunos ao uso da tecnologia para ensinar e aprender, mudando o sistema tradicional de sala de aula. Para 2022, ficam as lições aprendidas e as tecnologias adotadas, que ainda mostrarão avanços e recursos disponíveis para a evolução do ensino brasileiro.

(*) É diretor do segmento Educacional da TOTVS.

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