Uber e Lyft elevam preços de forma absurda após atentado

Na manhã de terça-feira passada, um indivíduo abriu fogo dentro de um vagão do metrô em Nova York, ferindo diversas pessoas, algumas gravemente.

Vivaldo José Breternitz (*)

Era hora do rush, os serviços do metrô foram paralisados, e pessoas buscaram alternativas: os serviços do Uber e de seu concorrente, Lyft.

Como era de se esperar, com o aumento da procura os algoritmos dessas empresas, que calculam tarifas em função da demanda, elevaram os preços abruptamente; ao que consta, corridas bastante curtas passaram a custar 70 dólares ou mais.

A manipulação de preços durante um evento trágico obviamente não é o tipo de atenção que qualquer empresa gostaria de receber, mas é um perigo inerente aos sistemas automatizados que são incapazes de entender o contexto em que ocorre um aumento na demanda.

Mas isso já aconteceu várias vezes: em 2016, depois que uma bomba explodiu em Nova York ferindo dezenas de pessoas; em Sydney, Austrália, quando pessoas foram feitas reféns por 16 horas em 2014; em Londres, depois que um veículo atropelou deliberadamente um grupo de pedestres em 2017; e em 2020, depois que oito pessoas foram baleadas no centro de Seattle.

Uber e Lyft comentaram o assunto de forma protocolar, solidarizando-se com as vítimas e prometendo estudar o reembolso de pagamentos feitos a maior.

Este é mais um alerta acerca dos perigos decorrentes do uso de algoritmos que não são dotados de sólidas medidas de segurança

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de IoT

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