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A virtualização ainda tem futuro?

em Tecnologia
quarta-feira, 15 de julho de 2026

Bruno Machado (*)

Grande parte da indústria debate o “fim da virtualização”. No entanto, o que se vê no mercado vai de encontro a essa ideia: longe de desaparecer, essa tecnologia está evoluindo.

A virtualização já não é a mesma que conhecemos há uma década. Durante anos, ela esteve associada à consolidação de servidores, à otimização de hardware e à redução dos custos operacionais. Foi uma transformação fundamental para os datacenters, mas hoje seu papel é diferente: continua sendo uma peça-chave das estratégias de TI, embora esteja evoluindo para arquiteturas mais abertas e integradas com containers, Kubernetes e nuvem híbrida.

De acordo com recente relatório da Red Hat sobre o estado da virtualização, 71% das organizações mantêm mais da metade de sua infraestrutura de TI virtualizada, incluindo servidores, armazenamento, redes e outros recursos. Isso demonstra que a virtualização continua sendo uma tecnologia estratégica, embora as empresas estejam buscando novas formas de aproveitá-la.

Ao mesmo tempo, o mercado passou por uma transformação importante a partir de novas estratégias comerciais de alguns dos principais fornecedores históricos de virtualização. As mudanças nos modelos de licenciamento, a transição para esquemas de subscrição e a consolidação de produtos tiveram um impacto significativo para muitas organizações, que passaram a revisar suas estratégias de infraestrutura e buscar alternativas mais flexíveis.

O debate, no entanto, vai muito além dos custos. A verdadeira transformação está relacionada à necessidade de contar com plataformas capazes de acompanhar uma nova geração de aplicações. Hoje, as empresas precisam administrar ambientes em que convivem máquinas virtuais tradicionais e aplicações desenvolvidas com containers e microsserviços, em arquiteturas que exigem escalabilidade com rapidez.
As organizações já não podem se dar ao luxo de administrar infraestruturas distintas para aplicações tradicionais e cargas de trabalho modernas. A complexidade operacional tornou-se um dos principais obstáculos à inovação.

A nova fase aponta para plataformas unificadas, nas quais máquinas virtuais e containers possam coexistir sob uma mesma camada de gerenciamento. Soluções como o OpenShift Virtualization refletem essa tendência ao permitir que as organizações modernizem seus ambientes de forma gradual. Algumas migram suas máquinas virtuais sem modificar as aplicações, enquanto outras avançam para uma modernização completa baseada em containers.

Essa busca por alternativas se reflete em um crescimento acelerado. Segundo o keynote de Ashesh Badani, Vice-presidente sênior e Chief Product Officer da Red Hat, durante o Red Hat Summit 2026, o número de máquinas virtuais em execução no Red Hat OpenShift Virtualization no último ano cresceu 417%; os clusters que executam máquinas virtuais registraram um aumento de 93%; e a base de clientes que utilizam máquinas virtuais registrou 70% de alta.

Essa evolução ganha ainda mais relevância com a crescente adoção da inteligência artificial. As aplicações de IA exigem capacidade computacional, automação e escalabilidade e, em muitos casos, são desenvolvidas sobre containers. As organizações precisam de infraestruturas capazes de gerenciar diferentes tipos de cargas de trabalho sem adicionar camadas desnecessárias de complexidade.

Um exemplo dessa transformação é o Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, que adotou o Red Hat OpenShift Virtualization para sua infraestrutura de missão crítica. O objetivo foi combinar a flexibilidade de uma plataforma de nuvem híbrida com a capacidade de gerenciar máquinas virtuais e preparar uma base tecnológica para futuras aplicações baseadas em containers.

A história da virtualização está entrando em uma nova era. O futuro não será definido por plataformas de virtualização isoladas, mas por arquiteturas capazes de integrar diferentes cargas de trabalho e simplificar sua gestão. Em um cenário em que as empresas buscam acelerar a inovação e adotar inteligência artificial, a capacidade de combinar virtualização, containers e automação será um fator estratégico para a evolução dos negócios.

(*) Diretor do OpenShift para a América Latina na Red Hat.