Tecnologia pode impedir que motoristas dirijam alcoolizados

Vivaldo José Breternitz (*)

O governo Biden apresentou ao Congresso americano um conjunto de medidas de estímulo à economia, prevendo investimentos da ordem de alguns trilhões de dólares. Esse conjunto, chamado Infrastructure Investment & Jobs Act, é detalhado em um documento de mais de 2.700 páginas. Os dois principais partidos americanos vêm discutindo e deliberando algumas dessas medidas, dando-nos um exemplo de como os partidos políticos podem e devem trabalhar em conjunto pelos interesses do país.

As medidas são dos mais diversos tipos, desde uma proposta de taxação de operações com criptomoedas, que pretende arrecadar US$ 28 bilhões, até a implementação de tecnologia que impeça pessoas alcoolizadas de dirigir.

Nessa área, a ideia básica é que o US Department of Transportation defina os padrões para essa tecnologia em até três anos, após o que as montadoras teriam dois anos para começar a produzir veículos que atendam a esses padrões.

De acordo com um estudo desenvolvido em 2020 pelo IIHS – Insurance Institute for Highway Safety -, sistemas desse tipo podem salvar 9.000 vidas a cada ano, já que o álcool foi um fator importante em 30% de todos os acidentes acontecidos nos Estados Unidos e que resultaram em mortes na década passada.

O IIHS também citou uma pesquisa anterior, realizada em 2009, que mostrou que dois terços dos entrevistados apoiavam uma tecnologia que imobilizasse um veículo se o nível de álcool no sangue do motorista estivesse além do limite legal. No entanto, ironicamente, essa mesma pesquisa também constatou que poucos compradores de carros novos estariam dispostos a pagar mais caro por veículos que dispusessem de tal tecnologia.

(*) – Doutor em Ciências pela USP, é professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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