
O banco britânico Barclays divulgou os resultados de uma pesquisa que permitem estimar que robôs humanoides deverão compensar até 60% da queda prevista da força de trabalho chinesa até 2035.
Vivaldo José Breternitz (*)
Já se sabe que na próxima década a população chinesa em idade de trabalhar deve encolher em 37 milhões, o que exigiria o uso de cerca de 24 milhões de robôs humanoides para manter o nível de produção.
A questão não é apenas demográfica, mas econômica. A manufatura representa cerca de 25% da economia chinesa, e a redução de trabalhadores nesse setor em tão pouco tempo configura um risco muito grande; para preencher essa lacuna, os robôs humanoides precisariam ser cerca de 4% da força de trabalho.
A pesquisa considera que a China já é líder na produção de humanoides: em 2025, a Unitree e Agibot produziram cerca de 5.500 unidades cada uma, seguidas pela UBTech, com aproximadamente 1.000. O governo chinês estabeleceu metas ambiciosas: integrar humanoides às cadeias de produção a partir de 2027 e criar um mercado doméstico de humanoides avaliado em US$ 41 bilhões até 2035.
Apesar do otimismo reinante na China, o Barclays ressalta desafios: mais de 150 fabricantes disputam um mercado em que apenas 23% dos clientes relatam satisfação com os robôs adquiridos. Além disso, o número de 24 milhões de unidades é considerado de difícil atingimento, dependente de fatores como queda acelerada nos custos dessas máquinas e aumento dos subsídios governamentais.
O contexto geopolítico também pesa. Produtos ocidentais, como o Optimus da Tesla, podem competir com os chineses, apesar de ainda serem mais caros.
Um ponto permanece em aberto: se os robôs humanoides compensarem 60% da queda, o que fazer para suprir os 40% restantes? Esse é o desafio que Pequim terá de enfrentar ao longo da próxima década.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].
Foxconn planeja a implantação de robôs humanoides em suas fábricas – Jornal Empresas & Negócios



