
O surgimento de novas tecnologias frequentemente traz o questionamento: o que é apenas hype e o que carrega valor genuíno e duradouro? A Inteligência Artificial, por mais fascinante que seja, já demonstrou que nem todas as suas promessas vão prevalecer. Para sobreviver ao teste do tempo, é preciso que a IA entregue valor real às empresas, sustentado por indicadores claros de retorno sobre o investimento (ROI) e pautado por responsabilidade ética.
Contudo, enquanto as promessas de “IAs milagrosas” tendem a ficar para trás, um aspecto prático já está transformando profundamente a dinâmica de trabalho: o surgimento de uma nova categoria de talentos impulsionada pelo vibe coding. Esses profissionais, que chamamos de builders, passarão a dominar cada vez mais os espaços corporativos.
Em termos simples, os Builders adotam uma prática que permite que eles descrevam em linguagem natural as soluções que desejam construir, enquanto a IA assume o papel de gerar o código e desenvolver softwares de forma direta e ágil.
O impacto desses profissionais já é uma realidade, seja pela autonomia para idealizar produtos digitais ou pela capacidade de criar ferramentas que automatizam e aceleram os fluxos de trabalho de toda a equipe. Em um futuro próximo, trabalhadores de todas as áreas ganharão uma vantagem competitiva inestimável ao compreenderem e aplicarem a IA em seu dia a dia.
No entanto, as empresas e profissionais devem se atentar, à medida que a execução técnica se torna acessível, que o grande desafio deixa de ser o como criar e passa a ser o que criar para de fato se tornar relevante. Aqueles que assimilarem essa mudança de paradigma mais rapidamente estarão a passos de distância da concorrência.
Gosto de ilustrar esse cenário com a analogia das flechas. A IA tornou o processo de produzir flechas (produtos, softwares e interfaces) extremamente rápido e barato, mas dispará-las incessantemente, sem critério, não garante que o alvo será atingido. Se não pararmos para analisar a direção do vento, ajustar a postura ou entender o motivo do último erro, apenas desperdiçamos energia. O verdadeiro diferencial reside em avaliar os resultados de cada tentativa, identificar padrões e recalcular a estratégia. No fim das contas, destaca-se quem consegue aliar a velocidade da máquina ao aprendizado humano.
Afinal, os produtos que de fato vão revolucionar o mercado não virão das empresas que simplesmente criam mais rápido soluções de que ninguém precisa. O sucesso pertencerá às organizações que contam com profissionais que combinam a fluência na operação de uma IA com senso de observação, pensamento crítico e compreensão das reais necessidades dos consumidores.
Esses profissionais que mantêm bom nível crítico e prático conseguirão, de fato, acertar o alvo com flechas certeiras. Pois em uma era onde a máquina escreve o código, quem domina a estratégia por trás de cada criação é um verdadeiro builder.
(Fonte: Raphael Farinazzo é CEO da PM3, escola referência em negócios e produtos digitais no Brasil).
Collins escolhe “vibe coding” como a expressão do ano – Jornal Empresas & Negócios


