
Apresentado em fins de abril, o ChatGPT for Clinicians é uma versão especializada do chatbot, projetada para apoiar médicos e outros profissionais de saúde em tarefas como suporte a consultas, documentação e pesquisa.
Vivaldo José Breternitz (*)
Diferente do que acontece com as soluções voltadas ao usuário final, como o Copilot Health da Microsoft ou o ChatGPT Health da própria OpenAI, o uso desta versão é restrito a profissionais da área; a ferramenta é gratuita, mas no momento apenas profissionais trabalhando nos Estados Unidos podem usá-la.
Karan Singhal, executivo da OpenAI, onde chefia a área de saúde, é hoje uma das vozes mais influentes na interseção entre ciência médica e inteligência artificial, defendendo que a IA deve ser usada para empoderar médicos e pacientes, mas nunca substituir o julgamento humano.
Segundo Singhal, milhões de médicos acessam o ChatGPT semanalmente, levando a empresa a criar essa versão específica para apoiar esses profissionais; segundo ele, “a realidade é que muitos estão sobrecarregados. Qualquer recurso que facilite o trabalho e permita foco no paciente faz diferença para ambos”.
O modelo não é novo: utiliza o GPT-5.4, mas com um conjunto de ferramentas específicas para tarefas na área de saúde: médicos, enfermeiros, farmacêuticos e outros profissionais da área podem acessar o ChatGPT for Clinicians, mediante verificação.
Um dos maiores desafios do uso de IA na área de saúde é garantir respostas precisas, sem alucinações. Com esse objetivo, a OpenAI criou a ferramenta trabalhando com milhares de médicos, incluindo especialistas de instituições como o Sloan Kettering, um dos hospitais e centros de pesquisa mais renomados do mundo na área de oncologia, situado em Nova Iorque.
O sistema se baseia em estudos revisados por pares, diretrizes de saúde pública e protocolos clínicos. Nos testes efetuados com o uso do HealthBench Professional, ferramenta de benchmarking criada pela OpenAI para avaliar a precisão e a segurança de modelos de linguagem aplicados à saúde, usando critérios definidos por médicos em cenários clínicos realistas, o modelo alcançou 99,6% em precisão e segurança.
A presença da IA na saúde cresce rapidamente; em ambientes clínicos, estudos recentes indicam que modelos de IA podem igualar e até superar profissionais em situações de triagem e diagnósticos de emergência.
Ainda assim, falta à tecnologia capacidade de julgamento humano, sensibilidade e experiência, elementos essenciais no cuidado ao paciente. Há também o risco de médicos reproduzirem vieses históricos presentes na literatura médica.
Apesar de ferramentas de inteligência artificial, como os chatbots, estrem ganhando espaço na área da saúde, as empresas de tecnologia e especialistas têm sido claros: a IA não deve substituir o médico, sendo essa a razão pela qual o ChatGPT usualmente recomenda que qualquer informação sobre saúde fornecida por ele, seja confirmada por um profissional humano.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].
ChatGPT me ajudou a escrever este artigo sobre o ChatGPT – Jornal Empresas & Negócios



