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O que empresas precisam saber antes de usar o OpenClaw

em Tecnologia
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Após a fase de euforia, especialistas alertam para riscos financeiros e operacionais no uso indiscriminado da ferramenta que está bombando no ecossistema de TI
 
Lançado em dezembro de 2025 e impulsionado pela popularização ao longo de janeiro deste ano, o OpenClaw rapidamente ganhou espaço entre empreendedores e empresas no Brasil. A ferramenta, que permite automações e integração com diferentes sistemas com inteligência artificial, passou da fase de curiosidade para adoção prática em poucas semanas. Com isso, surgem também preocupações sobre segurança digital, governança e controle de custos.
 
Para Ricardo Melo, VP of Growth & Product na HostGator LatAm, o movimento é natural em ciclos de inovação acelerada. “No primeiro momento, o foco está no potencial da tecnologia. Depois, surgem as consequências práticas. Estamos vendo muitos usuários adotando o OpenClaw sem avaliar permissões, custos de API ou o impacto de integrar a ferramenta a sistemas sensíveis”, afirma.
 
A HostGator passou a disponibilizar o OpenClaw entre as aplicações possíveis dentro da categoria de servidores virtuais privados, o VPS, o que facilita o acesso à empreendedores, criadores digitais e empresas à ferramenta. Segundo Melo, o uso da tecnologia exige responsabilidade proporcional. “Toda tecnologia pode ser usada de formas boas e ruins. Ferramentas com autonomia para executar comandos ampliam a produtividade, mas também ampliam a responsabilidade. Sem limites bem definidos, o risco financeiro, de segurança da informação e operacional cresce”, explica.
 
Entre os principais pontos de atenção no uso do OpenClaw estão: concessão irrestrita de acesso a arquivos locais; integração com aplicativos financeiros e plataformas de mensagens; uso de chaves de API sem limite de consumo; e a ausência de monitoramento de tokens, o que pode gerar gastos elevados em pouco tempo. Em empresas que utilizam a ferramenta para automatizar processos, acessar bases de dados ou integrar sistemas internos, um erro de configuração pode significar prejuízo financeiro ou perda de informações estratégicas.
 
Além do risco técnico, há o jurídico. Ao integrar ferramentas como o OpenClaw a bases de dados de clientes, a empresa deve garantir que a automação não viole os princípios da LGPD, como a finalidade e a transparência. O uso de servidores isolados (VPS) ajuda a auditar quem e o que acessa esses dados, facilitando a criação de um Relatório de Impacto à Proteção de Dados (RIPD).
 
Para reduzir esses riscos, o especialista recomenda medidas objetivas de proteção:
 
Isolar o ambiente de uso
Evitar rodar o OpenClaw diretamente no computador pessoal. Utilizar ambientes separados ou servidores isolados limita o acesso a arquivos sensíveis e reduz a exposição a falhas.
 
Definir permissões mínimas necessárias
Conceder acesso apenas ao que for indispensável para a tarefa diminui a superfície de risco e evita exclusões acidentais ou vazamento de dados.
 
Separar contas pessoais e profissionais
Utilizar números de telefone, e-mails e integrações diferentes dos ambientes pessoais ajuda a mitigar impactos em caso de comportamento inesperado da aplicação.
 
Estabelecer limites de consumo de API
Configurar tetos financeiros e monitorar regularmente o uso de tokens evita surpresas na fatura e traz previsibilidade de custos.
 
Para Melo, a adoção de inteligência artificial exige mudança de mentalidade. “IA promove eficiência mas, para isso, demanda infraestrutura, controle e gestão de risco. À medida que as ferramentas ficam mais acessíveis, as boas práticas passam a ser requisito básico de qualquer operação digital.” Ou seja, organizações que estruturarem desde o início práticas de segurança e controle financeiro tendem a extrair mais valor da tecnologia sem comprometer a operação.