
O Starlink é um serviço de internet via satélite desenvolvido pela SpaceX, empresa do bilionário Elon Musk.
Vivaldo José Breternitz (*)
Seu principal objetivo é oferecer conexão de alta velocidade para regiões onde o acesso à internet tradicional é limitado, instável ou inexistente, como áreas remotas, no mar e até em zonas de conflito.
A Marinha da Colômbia anunciou recentemente a apreensão, na costa do Caribe, de um pequeno submarino construído de forma artesanal, que seria usado para enviar drogas, provavelmente, para países do hemisfério norte. Embora o uso desses “narco-submarinos” por cartéis de drogas para o transporte de entorpecentes já seja conhecido há anos, esta foi a primeira vez que uma embarcação foi encontrada navegando sem ninguém a bordo.
Segundo o canal France 24, o equipamento incluía um terminal Starlink, o que permitia a conexão com a internet em alto-mar e o controle remoto da embarcação. Como o barco estava vazio, as autoridades acreditam que o mesmo estava sendo testado para futuras operações de tráfico.
Não é a primeira vez que autoridades interceptam uma embarcação de porte pequeno operada remotamente. O primeiro registro ocorreu em novembro de 2024, quando a polícia indiana apreendeu um barco semelhante, também equipado com Starlink, próximo às ilhas Andaman e Nicobar, situadas a mais de 1.100 quilômetros do continente. Os cartéis demonstram crescente sofisticação no transporte de drogas: antes restritos às rotas entre as Américas, agora esses veículos têm sido detectados cruzando o Atlântico e o Pacífico.
A instalação do sistema Starlink nessas embarcações é uma evolução lógica para os traficantes. Essas missões são extremamente arriscadas e há relatos de barcos interceptados com toda a tripulação morta. Além disso, a presença humana aumenta os riscos, já que tripulantes podem ser subornados ou colaborar com as autoridades caso sejam capturados. A conexão global via satélite permite que os barcos sejam operados à distância, evitando prisões e interrogatórios.
Apesar do custo elevado – os planos marítimos da Starlink variam de cerca de US$ 250 a US$ 2.150 mensais, dependendo da capacidade disponível, o valor da carga transportada, muitas vezes na casa dos milhões, torna o investimento em comunicação via satélite insignificante.
O uso crescente dessa tecnologia deverá dificultar a interceptação de embarcações, uma vez que uma única equipe pode operar diversos veículos remotamente. No entanto, cada terminal Starlink é vinculado a uma conta específica; assim, caso as agências de inteligência identifiquem os responsáveis por essas contas e haja cooperação da SpaceX, será possível rastrear os equipamentos e realizar prisões no momento do desembarque das drogas.
Esperemos que alegações de direito à privacidade não dificultem os trabalhos das autoridades.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor e consultor – [email protected].


