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Mais jogatina: chegam ao Brasil as apostas preditivas

em Tecnologia
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Apesar do discurso de inovação, a chegada ao Brasil de plataformas de apostas preditivas, como a recém-lançada Prévias, levanta sérias preocupações.

Vivaldo José Breternitz (*)

Especialistas em regulação e saúde pública alertam que, mesmo com roupagem tecnológica, as apostas preditivas devem trazer os mesmos problemas dos jogos de azar: endividamento, vício e impacto social.

De maneira simplificada, as plataformas, cujo funcionamento foi aprovado pela CVM neste mês, e seus usuários abrem “temas” nos quais as pessoas podem apostar até uma determinada data, após a qual os valores apostados são rateados entre os acertadores, ficando a plataforma com uma comissão sobre o total apostado.

Dentre os temas já abertos pela Prévias estão “Eleições presidenciais no Brasil”, “Campeão do BBB26” e “Virginia e Vini Jr terminam em 2026?”

Os fundadores da plataforma dizem que o modelo não é “o novo jogo do tigrinho”, mas sim “o novo Ibope”, já que as apostas indicariam tendências. Críticos, porém, enxergam nisso uma estratégia de marketing para suavizar os riscos e atrair usuários.

No exterior, já se registraram casos de detentores de informações privilegiadas que ganharam dinheiro com apostas preditivas; um desses casos teria sido a captura de Nicolas Maduro, quando alguém teria criado um tema a respeito do assunto perguntando se o venezuelano seria capturado até uma determinada data e levado incautos a apostar em sentido contrário – o ataque que o prendeu não era esperado pelo grande público.

E há mais gente chegando ao mercado: a B3, a bolsa de valores brasileira, já anunciou oficialmente que pretende entrar brevemente no mercado de previsões. Como este ano será marcado por eventos como a Copa do Mundo e as eleições, acredita-se que serão apostadas cifras expressivas.

Mas o crescimento acelerado levanta dúvidas: até que ponto nossa sociedade está preparada para lidar com os efeitos colaterais desse novo tipo de jogo?

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].