Itália usará chips e blockchain contra a falsificação de queijos

A falsificação de queijos italianos Parmigiano Reggiano e Grana Padano pela primeira vez superou a produção dos originais.

Vivaldo José Breternitz (*)

Entre os que os italianos consideram falsos estão desde o nosso parmesão até outros como o reggianito argentino e o parmesan perfect, produzido na Austrália. Há até mesmo um parmesão vegano, fabricado nos Estados Unidos.

O dinheiro envolvido é muito: segundo autoridades italianas negocia-se, apenas fora da União Europeia, 2 bilhões de euros em queijos falsificados, o que equivale a 200 mil toneladas ou 15 vezes o volume exportado pela Itália.

Os italianos tentam defender-se: desde 2002 em todos os queijos desses tipos é colocada uma placa de caseína que contém um QR Code que permite identificar cada forma de queijo, seu produtor e data de fabricação.

Procurando aperfeiçoar o sistema, estão em andamento testes para substituição do QR Code por um microchip que conterá mais informações, praticamente impossibilitando fraudes.

Para isso, pretende-se utilizar tecnologia desenvolvida pela empresa Kaasmerck Matec, que produz as placas de caseína e os chips, que têm o tamanho de um grão de sal e não provocam danos à saúde se ingeridos e nem alteram o sabor do queijo, embora a ideia seja retirar a placa antes de fatiar-se o queijo ou ralá-lo.

Os chips também não geram danos ao paladar ou à saúde caso sejam inadvertidamente levados ao fogo e a fornos elétricos ou de micro-ondas.

Os testes estão acontecendo há um ano, 200 mil formas já receberam o chip e em 2023, pretende-se passar a usá-lo em toda a produção, que será controlada com o uso de blockchain.

(*) É Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas.

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