
Até há pouco tempo, o mercado acreditava que a Intel estava vivendo seus últimos momentos, após uma lenta e dolorosa agonia.
Vivaldo José Breternitz (*)
Agora, parece que um milagre está acontecendo: a Intel irá colaborar com Elon Musk no projeto Terafab, uma megafábrica de chips a ser construída em Austin, no Texas.
O empreendimento será uma joint venture entre empresas de Musk, SpaceX, Tesla e xAI, que tem como objetivo de produzir os semicondutores necessários a projetos de inteligência artificial.
Musk apresentou o projeto em março passado, dizendo que pretende produzir 1 terawatt de poder computacional por ano. Embora Tesla e SpaceX tenham experiência em manufatura nos Estados Unidos, a construção de fábricas de chips é notoriamente cara e demorada. Por isso, contar com a colaboração da Intel parece estratégico. “Nossa capacidade de projetar, fabricar e empacotar chips de altíssimo desempenho em escala ajudará a acelerar a meta da Terafab de produzir 1 TW/ano de computação para impulsionar futuros avanços em IA e robótica”, declarou a empresa.
O projeto se insere em uma reorientação das companhias de Musk em direção à inteligência artificial. A Tesla, antes focada em carros elétricos, agora se posiciona como empresa de robótica. Já a SpaceX, além de explorar o espaço, planeja lançar data centers de IA em órbita. Em fevereiro passado, a SpaceX adquiriu a xAI, empresa de Musk dedicada à inteligência artificial, e agora estaria se preparando para abrir seu capital.
A Intel, por sua vez, vive um momento de recuperação. Após o lançamento da linha Intel Core Ultra Series 3 e investimentos diretos do governo dos EUA em agosto de 2025, a companhia ganhou fôlego.
Ainda assim, enfrenta desafios: dois complexos de fabricação de chips no Arizona, anunciados em 2021, ainda não operam em plena capacidade, mesmo com a imensa demanda por esses
componentes.
Além disso seus custos geralmente são maiores que os de seus concorrentes, especialmente a AMD; no Brasil, notebooks com chips Intel custam cerca de 20% mais que os que usam chips AMD.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].
Construir data centers no espaço pode ser uma boa ideia – Jornal Empresas & Negócios



