
Tecnologia automatiza o reconhecimento de itens e indica classificações como NCM, reduzindo etapas manuais nos processos de cadastro.
Uma imagem pode ser suficiente para iniciar o cadastro de um produto. Com o avanço da inteligência artificial aplicada à gestão de dados mestres, sistemas já conseguem analisar fotografias, identificar automaticamente o item retratado e sugerir informações necessárias para sua comercialização, incluindo descrições, atributos técnicos e possíveis classificações fiscais, como códigos NCM. A proposta é reduzir o trabalho manual, acelerar processos e aumentar a qualidade das informações corporativas.
A utilização da inteligência artificial em processos de cadastro representa uma das principais transformações recentes na gestão de dados corporativos. A tecnologia é capaz de interpretar imagens de produtos e relacioná-las a informações estruturadas utilizadas por áreas como compras, fiscal, contabilidade, logística, comércio eletrônico e tecnologia.
A 4MDG, empresa brasileira de tecnologia especializada em Gestão de Dados Mestres (MDM) e governança de cadastros corporativos, já disponibiliza ao mercado um sistema capaz de, a partir da fotografia de um disjuntor, identificar o item e gerar automaticamente sugestões de descrição, atributos obrigatórios, categoria mercadológica, produtos similares já cadastrados e possíveis classificações fiscais para comercialização.
Esse tipo de automação busca eliminar etapas repetitivas e reduzir erros decorrentes de processos manuais. Apesar disso, a validação final continua sob responsabilidade dos analistas e especialistas das áreas de negócio.
“A IA não veio para substituir o analista de cadastro, ela não veio para substituir o ser humano. Ela entra para apoiar decisões, reduzir retrabalho e acelerar etapas que antes dependiam de muitas validações manuais”, afirma Flávio Souza, CPO da 4MDG.
Além do reconhecimento de produtos, a empresa também vem aplicando inteligência artificial em outras atividades relacionadas à gestão de dados mestres. Entre elas estão a documentação automatizada de regras de negócio, análise de integrações entre sistemas, apoio operacional e atendimento de suporte por meio do assistente Adam.
Segundo a companhia, os recursos foram desenvolvidos para ampliar a rastreabilidade das informações e reduzir a dependência de atividades manuais em processos corporativos que envolvem diferentes áreas da organização.
Para os executivos da empresa, a atividade de cadastro passou por uma importante evolução nos últimos anos. Hoje, o profissional da área precisa compreender regras fiscais, integrações, governança de dados e processos de negócio que impactam toda a cadeia operacional da empresa.
“Antes a atividade era associada à digitação. Hoje, o analista de cadastro precisa entender o processo de ponta a ponta, saber de onde vem o dado, quem vai consumir essa informação e quais integrações dependem dela”, afirma Souza.
Outro recurso desenvolvido pela companhia é o Mapping, solução que utiliza inteligência artificial para documentar workflows, regras de negócio, integrações, etapas de aprovação e fluxos de comunicação relacionados aos processos corporativos. A ferramenta também pode apoiar auditorias, diagnósticos de chamados, geração de APIs, validação de planilhas e testes de qualidade.
De acordo com Cesar Coelho, CTO da 4MDG, a documentação passou a exercer papel estratégico para garantir a continuidade operacional dos projetos e a preservação do conhecimento dentro das organizações.
“A documentação do workflow, das regras, das etapas e das integrações precisa acompanhar a operação. Quando esse conhecimento fica apenas com as pessoas do projeto, a empresa perde rastreabilidade e aumenta o risco no go live e na sustentação”, diz.
A empresa também apresentou recursos voltados ao monitoramento de integrações e da utilização da plataforma. Entre as funcionalidades estão o acompanhamento de consultas, erros, chamadas de integração, movimentação de workflows e indicadores operacionais.
A proposta é permitir que equipes de atendimento e sustentação identifiquem falhas e atuem preventivamente antes que os problemas impactem usuários ou gerem chamados de suporte.
Nos próximos ciclos de evolução da plataforma, a expectativa é ampliar o uso de comandos em linguagem natural. Nesse cenário, o usuário poderá iniciar um processo de cadastro apenas descrevendo o produto desejado, enquanto a inteligência artificial interpreta a solicitação e propõe automaticamente características, descrições, unidades de medida e grupos mercadológicos para dar início ao fluxo.
Segundo a 4MDG, a crescente complexidade da gestão de dados mestres exige ferramentas capazes de combinar automação, governança e inteligência operacional para garantir informações cada vez mais confiáveis e consistentes. Nesse contexto, a IA deixa de ser apenas uma tecnologia de apoio e passa a assumir um papel ativo na construção e manutenção dos dados que sustentam as operações das empresas.




