
A inteligência artificial está transformando rápida e silenciosamente o mercado mundial de golpes, tornando-os mais sofisticados, difíceis de detectar e fáceis de aplicar.
Vivaldo José Breternitz (*)
Um relatório da Bloomberg revela que call centers de golpistas, principalmente do Sudeste Asiático, vêm recorrendo cada vez mais a ferramentas de IA baratas e acessíveis para fazer mais vítimas.
Segundo a Interpol, criminosos utilizam modelos de linguagem avançados, clonagem de voz e geração de imagens para praticar fraudes em escala industrial. O que antes eram mensagens mal escritas ou anúncios de emprego claramente falsos, evoluiu para operações sofisticadas, capazes de criar perfis e comunicações realistas em segundos.
“É possível ver a eficiência da IA sendo aplicada nos centros de fraude”, afirmou Neal Jetton, diretor de Cibercrime da Interpol em Singapura. “É um modelo de negócio simples, e, com IA, ficará cada vez mais fácil para os criminosos”.
A principal mudança está na velocidade e na flexibilidade. Com IA, golpistas reescrevem roteiros rapidamente, mudam de idioma, expandem seus ataques para novas regiões e adaptam estratégias, fugindo à repressão das autoridades. Até mesmo anúncios de emprego usados para atrair pessoas agora parecem legítimos e profissionais.
Ferramentas de clonagem de voz e deepfakes também são usadas para se passar por parentes ou parceiros de relações afetivas, explorando a emoção das vítimas e aumentando as chances de transferência de dinheiro.
Apesar das operações policiais em países como Camboja e Mianmar, especialistas não acreditam que os centros de fraude irão desaparecer. Pelo contrário, a IA os torna mais baratos de manter e mais fáceis de realocar, com atividades já registradas nas Américas, África e Oriente Médio.
Estimativas apontam que redes globais de fraude roubam dezenas de bilhões de dólares por ano, e esse número deve crescer. A Interpol alerta que, embora a IA também possa ajudar na investigação dessas fraudes, os criminosos tem sido mais rápidos, transformando seus negócios em um empreendimento cada vez mais global e sofisticado.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].




