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Episódio de Mirando as Estrelas ilustra caminho que levou o Brasil a integrar consórcio do instrumento do maior telescópio do mundo

em Tecnologia
quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

O episódio 10 da série Mirando as Estrelas, lançado em dezembro no canal Telescópio Gigante Magalhães – GMT Brasil, no YouTube, funciona como um retrato preciso de um processo científico e institucional que levou o Brasil a ocupar uma posição estratégica na astronomia mundial. Ao apresentar o desenvolvimento do instrumento MOSAIC, projetado para o Telescópio Extremamente Grande (ELT), o programa explicita o papel crescente de cientistas e engenheiros brasileiros em projetos internacionais de altíssima complexidade. Pouco depois da disponibilização do episódio, essa trajetória ganhou reconhecimento formal com a assinatura, em 1º de dezembro de 2025, do acordo que oficializou  a aprovação do projeto do consórcio internacional, do qual o Brasil faz parte, para a construção do espectrógrafo MOSAIC, pelo European Southern Observatory (ESO). 

Produzida em parceria entre o escritório brasileiro GMT Brasil, o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), com realização da TV UNIVAP e apoio do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), a série Mirando as Estrelas tem como objetivo apresentar a história da instrumentação astronômica no país e destacar os principais projetos nacionais e internacionais que contam com a participação de pesquisadores, engenheiros e técnicos brasileiros. A série parte de uma abordagem histórica e chega ao presente, mostrando como a astronomia contemporânea depende de soluções tecnológicas sofisticadas e de redes globais de colaboração.

A série parte da premissa de que a Astronomia é uma das ciências mais antigas da humanidade e que, muito antes dos telescópios, o céu já orientava a vida humana como mapa, relógio e calendário. Com o avanço das tecnologias, no entanto, a observação do Universo passou a exigir instrumentos cada vez mais complexos, capazes de captar e analisar a luz proveniente de objetos extremamente distantes. Nesse cenário, o programa destaca a importância da participação brasileira no desenvolvimento de instrumentação astronômica, tanto para o avanço do conhecimento quanto para a formação de competências tecnológicas no país.

Essa evolução histórica encontra no MOSAIC um de seus exemplos mais expressivos. O instrumento é um espectrógrafo multiobjeto que integrará o ELT, telescópio do Observatório Europeu do Sul (ESO) em construção no deserto do Atacama, no Chile. Com um espelho primário de 39,3 metros de diâmetro, formado por quase 800 segmentos, o ELT será o maior telescópio óptico e infravermelho do mundo. O MOSAIC permitirá observar simultaneamente centenas de estrelas e galáxias, ampliando de forma inédita a eficiência das observações astronômicas e abrindo novas possibilidades para o estudo da formação das galáxias, da distribuição da matéria e da evolução química do Universo.

A professora Beatriz Barbuy, do IAG-USP, uma das principais cientistas brasileiras envolvidas no projeto, explica no episódio 10 o motivo pelo qual o MOSAIC representa um salto tecnológico e científico. “Ele é um espectrógrafo multiobjeto, que observa 140 estrelas ou galáxias em resolução média e observa 80 objetos em alta resolução ao mesmo tempo. Isso é uma coisa que nenhum outro tem. É muito importante que seja multiobjeto, porque o tempo de telescópio é muito elevado e seria inviável fazer observações individuais quando existe um conjunto de alvos na mesma região do céu”, afirma.