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Congestionamento no espaço: satélites quase colidem

em Tecnologia
quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Há poucos dias quase ocorreu uma colisão entre dois satélites em órbita, um deles recém-lançado pela China e o outro, um Starlink.

Vivaldo José Breternitz (*)

O vice-presidente de Engenharia da Starlink, Michael Nicolls, revelou que o equipamento chinês chegou a apenas 200 metros de distância de um de seus satélites. A margem é mínima diante da velocidade dos satélites em órbita baixa (entre 350 e 2.000 quilômetros acima da Terra), que ultrapassa 28 mil km/h, e poderia ter resultado em na destruição dos dois equipamentos.

Nicolls alertou que incidentes semelhantes continuarão a ocorrer. “Grande parte do risco de operar no espaço vem da falta de coordenação entre operadores de satélites. Isso precisa mudar”, afirmou.

Atualmente, há cerca de 12 mil satélites ativos em órbita baixa, dos quais aproximadamente 8 mil pertencem à Starlink. A velocidade desses equipamentos significa que qualquer colisão destruiria os envolvidos. Além disso, os fragmentos gerados por uma colisão poderiam multiplicar os danos, chegado ao que é chamado Síndrome de Kessler, uma reação em cadeia de colisões que aumentaria exponencialmente a quantidade de detritos em órbita e poderia tornar o espaço inutilizável por gerações.

Embora a ciência ofereça meios para evitar esse cenário, falta coordenação global. A China, por exemplo, não compartilha dados de trajetória de seus satélites em plataformas como o Space-Track.org dos EUA, ou a União Internacional de Telecomunicações da ONU. Especialistas temem que apenas um acidente de grandes proporções leve a medidas de cooperação mais efetivas.

Enquanto isso, os planos de expansão das constelações de satélites seguem acelerados, aumentando o risco de colisões. A Starlink pretende chegar a cerca de 42 mil unidades para cobertura global de internet. A Amazon projeta mais de 3.200 satélites. Na China, o projeto Guowang fala em 13 mil, e a Shanghai Spacecom em 14 mil. Na Europa, a Eutelsat OneWeb já conta com 648 satélites e discute uma segunda geração em escala ainda maior. E há outros projetos em andamento.

Esses números tornam mais clara a necessidade de coordenação – colisões significam problemas quase insolúveis para previsões meteorológicas, telecomunicações e outros.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].