
O custo para instalar novos painéis solares vem caindo há anos, mas agora tornou-se “ofensivamente barato”, conforme disse, de forma provocativa, o jornal britânico Financial Times.
Vivaldo José Breternitz (*)
Dave Jones, um dos fundadores do Ember, um think tank especializado em energia produzida por fontes limpas, lembrou que por volta do ano 2000, os painéis custavam entre US$ 5 e US$ 6 por watt de capacidade instalada. Hoje, segundo ele, o valor caiu para US$ 0,12 por watt, um preço baixíssimo diante dos combustíveis fósseis.
O Financial Times atribui essa queda vertiginosa quase que exclusivamente ao extraordinário aumento da produção de painéis na China, o que tornou a energia solar acessível tanto a países ricos quanto aos ainda em desenvolvimento.
Na China, líder mundial em energia limpa, novas instalações inundaram a rede elétrica em ritmo superior ao consumo. “Instalamos energia verde demais”, disse Youyuan Huang, dirigente da gigante de baterias BTR New Material Group, citado pela revista Fortune.
Nos Estados Unidos, a expansão também chama atenção: em junho, pela primeira vez, os painéis solares geraram mais eletricidade que as usinas a carvão, apesar das tentativas do presidente Donald Trump de reanimar o setor carbonífero.
Aqui no Brasil, a situação é parecida: o país está entre os cinco maiores do mundo nessa área, com a energia solar respondendo por cerca de 12% da geração, com custos em queda e projetos ambiciosos sendo implantados. Para investidores e consumidores, o momento é favorável, mas ainda há desafios regulatórios e estruturais a superar.
A revolução energética, antes vista como distante, agora se torna realidade, especialmente quando o preço do petróleo apresenta forte instabilidade em função dos conflitos ao redor do mundo e quando crescem as preocupações com o meio ambiente.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].


