
Em outubro de 1982, a Sony abriu uma porta para o futuro, ao lançar no Japão o primeiro tocador de CD do mundo, o lendário CDP-101.
Vivaldo José Breternitz (*)
Custando 168.000 ienes, valor hoje equivalente a cerca de US$ 3.700, o aparelho não era apenas caro, era um símbolo de inovação e de status.
O plano inicial era um lançamento global, mas a Philips, parceira da Sony, não conseguiu finalizar seu modelo CD100 a tempo. Assim, os japoneses foram os primeiros a experimentar a novidade, enquanto o resto do mundo só teve acesso ao novo produto em março de 1983.
Até então, os sistemas de som de uso pessoal eram baseados em discos de vinil e fitas cassete, ambos sujeitos a desgaste e imperfeições: poeira, riscos e empenamento no vinil e qualidade irregular das fitas. O CD prometia resolver esses problemas, oferecendo música digital lida a laser, sem desgaste físico, além de seleção instantânea de faixas e possibilidade de fácil repetição.
Na estreia japonesa, a Sony colocou no mercado 50 álbuns em CD, em parceria com a CBS. Curiosamente, quando Philips entrou no mercado, seis meses depois, seu catálogo contava com apenas 16 títulos.
Foi só em meados dos anos 1980, com mais lançamentos e preços mais acessíveis, que o CD se consolidou como peça central dos sistemas de som para uso pessoal. Pouco depois, os computadores começaram a receber drives de CD-ROM, prenunciando a era multimídia dos anos 1990.
Hoje, mais de quatro décadas depois, o CDP-101 é um objeto de desejo para colecionadores e apaixonados por tecnologia retrô. Em sites como o eBay, ainda é possível encontrar exemplares originais de 1982 por valores entre US$ 600 e US$ 800.
Esses aparelhos são pedaços da história da música digital, prontos para ocupar lugar de honra em qualquer estante ou museu.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].
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