
Os datacenters voltados principalmente à inteligência artificial, estão consumindo 6% da eletricidade disponível no Reino Unido e nos Estados Unidos.
Vivaldo José Breternitz (*)
O aumento constante desse número, e seu impacto sobre as tarifas de energia elétrica pagas pelos habitantes das regiões onde eles se instalam, vem despertando preocupações e gerando resistência dos moradores das áreas onde se pretende instalar novas estruturas desse tipo; o Wahington Post disse que essa resistência está se tornando tão forte a ponto de a maioria dos respondentes a uma pesquisa do Gallup afirmar preferir viver próximo a uma usina nuclear do que a um grande datacenter.
A proporção de eletricidade utilizada por esses datacenters aumentou 15% em todo o mundo nos últimos dois anos, enquanto o investimento anual na instalação deles se aproxima de US$ 1 trilhão, o equivalente a quase 1% da economia mundial, de acordo com dados da International Data Center Authority (IDCA), uma organização que desde 2011 fixa padrões para estruturas desse tipo.
A IDCA afirmou que o aumento global do consumo de energia está “desencadeando preocupações sociais e políticas” e pediu que as empresas de tecnologia sejam mais transparentes em relação aos seus planos de expansão, a fim de reduzir a “frustração das comunidades”.
O jornal britânico The Guardian informou nesta semana que o Google subestimou significativamente o volume de carbono a ser gerado por dois datacenters de IA propostos para instalação no Reino Unido.
O Reino Unido e os Estados Unidos, com cerca 6% do consumo da energia, estão muito acima da média global de 2%. Em Singapura e na Lituânia, o peso dessas estruturas sobre o sistema energético é ainda maior: 19% e 11% da eletricidade consumida nesses países, respectivamente, já é destinada aos datacenters.
Diante do aumento do consumo de energia, o Greenpeace do Reino Unido alertou que um “boom descontrolado da IA” poderá resultar em contas de energia mais altas, maior pressão sobre os recursos hídricos e “uma nova sobrevida para os combustíveis fósseis”, levando Doug Parr, cientista-chefe da organização ambiental, a afirmar que: “antes de sermos levados pelo entusiasmo de bilionários da tecnologia cujos lucros dependem dessa expansão, devemos parar e nos perguntar se o custo vale a pena.”
“Precisamos de mais transparência sobre a quantidade de água e energia usada pelos datacenters, avaliações adequadas de impacto ambiental e da proibição de novas usinas poluentes destinadas a abastecer a IA”, acrescentou.
Os números da IDCA revelam que 13% do consumo dos datacenters nos Estados Unidos vem de “sistemas zumbis”, aplicativos que continuam em funcionamento mesmo sem serem utilizados. Esse desperdício representa mais de 3 gigawatts de energia consumida desnecessariamente e provavelmente se repete em todo o mundo, tornando-se mais grave à medida que cresce o uso da computação em nuvem.
Diante disso e dadas as notícias do aumento do interesse das big techs pela implantação de datacenters no Brasil, é importante que aqui o assunto seja tratado com seriedade, também levando em conta o baixo número de empregos qualificados gerados por eles.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].
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