282 views 4 mins

Crianças e adolescentes, possíveis vítimas da rede criminosa 764

em Tecnologia
quarta-feira, 22 de julho de 2026

A rede criminosa internacional conhecida como “764” tem se consolidado como uma das maiores ameaças digitais da atualidade.

Vivaldo José Breternitz (*)

Surgida em 2021, a rede ganhou notoriedade por sua atuação descentralizada e pela combinação de exploração sexual online, manipulação psicológica e práticas de crimes violentos, o que levou autoridades dos Estados Unidos e do Canadá a classificarem o grupo como organização terrorista.

Diferente de grupos tradicionais, a 764 não possui uma liderança centralizada; essa característica dificulta a identificação de responsáveis e a desarticulação da rede. Embora alguns analistas apontem traços de culto satânico e neonazismo, especialistas afirmam que o verdadeiro motor da organização é o sadismo e o niilismo, mais do que uma ideologia política estruturada.

A 764 é responsável por uma série de crimes digitais, com destaque para a exploração sexual de menores. Investigações apontam que os criminosos se infiltram em plataformas populares entre adolescentes, como Roblox, Minecraft, Discord e Telegram, estabelecendo relações de confiança antes de induzir vítimas a suicídio, automutilação, homicídios, crueldade contra animais e a exposição de dados pessoais.

As principais vítimas são adolescentes, em especial meninas, que se tornam alvo de manipulação emocional e psicológica. Os criminosos, em sua maioria homens entre 18 e 25 anos, aproveitam-se do anonimato digital para radicalizar comportamentos e normalizar práticas abusivas. O impacto social é profundo, deixando marcas psicológicas duradouras nas vítimas e suas famílias.

O FBI já contabiliza mais de 450 investigações relacionadas ao grupo nos Estados Unidos, e há registros de vítimas também no Canadá, Austrália e Europa. Operações policiais resultaram em prisões e condenações severas, com penas que chegam a 30 anos de prisão por exploração sexual de menores. As autoridades reforçam que o combate ao grupo exige cooperação internacional, dada sua atuação transnacional e descentralizada.

As autoridades policiais recomendam que pais e responsáveis estejam atentos a sinais de vitimização, como mudanças bruscas de comportamento, ferimentos mal explicados e presentes inesperados enviados às crianças e adolescentes. O diálogo aberto sobre segurança digital e o monitoramento das interações online são apontados como medidas essenciais de prevenção.
No entanto, especialistas alertam que o caráter global e descentralizado do 764 representa um desafio sem precedentes para autoridades e plataformas digitais.

Em síntese, o 764 não é apenas mais uma rede criminosa: trata-se de uma ameaça híbrida que combina exploração sexual, manipulação psicológica e violência. Sua atuação expõe a vulnerabilidade dos jovens no ambiente online e exige estratégias conjuntas de proteção e repressão.

O combate ao grupo é, ao mesmo tempo, uma questão de segurança pública e de defesa dos direitos humanos, pois qualquer jovem pode ser uma vítima, inclusive no Brasil.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].