
A Nvidia criou um chip que permitirá a dispositivos de uso pessoal executarem algumas tarefas que atualmente exigem o poder computacional dos data centers.
Vivaldo José Breternitz (*)
O anúncio da inovação, batizada RTX Spark, foi feito pelo fundador, presidente e CEO da Nvidia, Jensen Huang, durante a Computex, feira anual de tecnologia realizada em Taiwan.
Huang descreveu a novidade como uma transformação tecnológica comparável à evolução dos primeiros telefones celulares para os smartphones. Segundo ele, o chip desenvolvido em parceria com a Microsoft representa a reinvenção do computador pessoal “pela primeira vez em 40 anos”, inaugurando uma “nova geração de PCs completamente reprojetados para a era dos agentes inteligentes”.
O RTX Spark chegará e ao mercado em meados do segundo semestre deste ano, integrado a máquinas que rodam o sistema operacional Windows e fabricadas pelas principais empresas do setor, como Dell, Asus, HP, Lenovo e Acer. Definido por Huang como “o chip para PCs mais eficiente já construído”, o lançamento colocará a Nvidia em concorrência direta com empresas como Intel, Qualcomm e Apple.
A iniciativa abre uma nova frente de negócios para a Nvidia, que já alcança um valor de mercado de cerca de US$ 5,3 trilhões. A trajetória da companhia começou com processadores voltados ao mercado de games e ganhou impulso com os chips utilizados para treinar e operar modelos de inteligência artificial generativa, como o ChatGPT, Gemini e outros. Esses chips, hoje, são hoje amplamente empregados em data centers.
As ações da Nvidia reagiram positivamente e avançaram mais de 4% no dia do anúncio. Quem mais se beneficiou, no entanto, foi a Arm Holdings, cujos papéis dispararam 13%, uma vez que o novo chip faz parte do ecossistema Windows baseado na arquitetura Arm. Em contrapartida, a Qualcomm recuou 6% , pois acredita-se que o novo chip será uma ameaça aos seus produtos. O mesmo ocorreu com outros concorrentes da Nvidia: Intel caiu 5,4% e AMD perdeu 5%. A Apple registrou leve queda de 0,5%, enquanto a Microsoft avançou 2,7%.
O novo processador foi desenvolvido especificamente para executar agentes de IA, acelerando a transformação dos PCs em assistentes pessoais avançados, capazes de fazer muito mais do que apenas responder aos comandos dos usuários.
Os novos chips prometem simplificar uma ampla gama de atividades, desde tarefas cotidianas, como localizar um e-mail, até operações mais complexas, como identificar e corrigir falhas em um software. Na visão de Huang, dentro de dez anos os consumidores terão em casa “supercomputadores baseados em inteligência artificial”, responsáveis por executar agentes e assistentes conectados a câmeras de segurança, televisores, cortadores de grama lava-louças e outros equipamentos domésticos, automatizando tarefas do dia a dia.
No início, os novos chips serão voltados para o segmento premium de usuários, incluindo desenvolvedores de inteligência artificial, criadores de conteúdo e gamers. A previsão é que venham a ser utilizados por aproximadamente 30 modelos de notebooks e cerca de 10 computadores de mesa; os preços ainda não foram divulgados.
Este realmente é um grande avanço, que pode revolucionar o mercado de computadores pessoais.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].
