Carência de profissionais de TI não é novidade

Em um grupo que discutia informes dando conta de que até 2024 estarão faltando cerca de 420 mil profissionais de Tecnologia da Informação no Brasil, um dos participantes da discussão relembrou fatos acontecidos em 1968.

Vivaldo José Breternitz (*)
João Guilherme Rodrigues (*)

Naquela ocasião, essa pessoa, ainda estudante, e que acabara de assumir a área de Recrutamento e Seleção de uma grande empresa multinacional de autopeças, situada no interior do estado de São Paulo, foi convocado a participar de uma reunião. Nela, foi informado que a empresa adquirira um computador IBM /360, modelo 30, que seria instalado em 6 meses e lhe foi apresentado o novo “Gerente do Computador”, um alemão que não falava português, apenas um pouco de espanhol e que disse ser necessária a contratação de 7 programadores que conhecessem as linguagens RPG, Assembler e Cobol.

Seguindo os padrões da época, a empresa publicou anúncios nos grandes jornais, mas os poucos candidatos que apareciam não eram aprovados pelo alemão, por não terem os conhecimentos necessários.

Pressionada pelo prazo, a empresa procurou a IBM, que disse acreditar que dificilmente se conseguiria esses profissionais no mercado, pois a demanda era grande e, para complicar, a empresa estava localizada em local de difícil acesso.

A recomendação era convidar funcionários da empresa a se submeterem a um teste de aptidão e serem treinados, utilizando “instrução programada”, uma aplicação educacional dos conceitos desenvolvidos pelo psicólogo   Skinner e que consiste em dividir o assunto a ser ensinado em pequenos segmentos logicamente encadeados, que o estudante lê, sendo logo em seguida questionado a respeito e, também imediatamente, recebendo feedback.

Esse método, hoje abominado por muitos educadores, era muito eficiente e utilizado pela IBM para treinar seus próprios profissionais e de clientes, de vez que não existiam cursos superiores na área.
Assim foi feito e a ideia funcionou perfeitamente, atendendo às necessidade da empresa e prestigiando a “prata da casa”.

Como se vê, de há muito que essa é uma área com inúmeras oportunidades e em que as empresas tem dificuldades para encontrar talentos.

(*) É Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor da Faculdade de Computação
e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

(**) É Mestre em Educação pela Universidade São Francisco, é consultor na área de Recursos Humanos.

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