Câmeras de segurança e privacidade

Vivaldo José Breternitz (*)

Pesquisadores ligados à Stanford University apresentaram à AAAI/ACM Conference on Artificial Intelligence, Ethics and Society, realizada em maio passado, um estudo acerca da presença de câmeras de segurança em espaços públicos.

A pesquisa usou imagens do Google Street View e outras plataformas semelhantes, que foram analisadas por inteligência artificial para identificar a presença de câmeras. Os pesquisadores extraíram uma amostra de 100 mil imagens de dez cidades americanas e seis do resto do mundo (Paris, Londres, Cingapura, Seul, Tóquio e Bangkok), de forma a poderem medir a quantidade de câmeras por km ². A maior densidade foi encontrada em Seul, com 0,85 câmeras por km ², seguida por Paris (0,75) e Nova York, com 0,5.

Os milhões de câmeras instaladas em todo o mundo podem desempenhar um papel crucial na prevenção do crime, apontam os autores do estudo, mas, especialmente quando combinadas com tecnologias de reconhecimento facial, também podem diminuir significativamente a privacidade dos cidadãos.

O estudo também identificou as áreas com maior densidade de câmeras dentro das cidades, e, sem maiores surpresas, concluiu que eram as habitadas por minorias étnicas, áreas essas quase sempre consideradas menos seguras.
Fica claro que a sociedade tem que identificar maneiras para que essa combinação de tecnologias seja utilizada de forma a trazer benefícios para todos.

(*) – Doutor em Ciências pela USP, é professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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