
Depois da retração no setor de computadores pessoais e tablets, o mercado de smartphones também entrou em queda, pressionado pela crise no Oriente Médio e pelas dificuldades de abastecimento de chips de memória, que elevaram os custos desses dispositivos, especialmente dos modelos de baixo e médio preço.
Vivaldo José Breternitz (*)
Segundo dados da Counterpoint Research, empresa global de análise de mercado de tecnologia, o segundo trimestre de 2026 registrou uma queda de 11%, o pior desempenho desde 2013.
“A crise global das memórias supera qualquer outro fator. Os dispositivos de entrada e intermediários, que representam a maior parte do volume mundial de smartphones, não conseguem mais sustentar os preços anteriores diante do aumento dos custos dos materiais”, explica a analista Shilpi Jain, da Counterpoint Research.
Além da escassez de memórias, as tensões geopolíticas no Oriente Médio elevaram os preços do petróleo e do transporte, inflando ainda mais os valores finais dos aparelhos. O cenário se soma a uma conjuntura macroeconômica marcada por crescimento global fraco, inflação elevada e confiança do consumidor em baixa, fatores que impactam os compradores mais sensíveis ao preço.
Os fabricantes de chips de memória têm dado prioridade aos data centers voltados à inteligência artificial; essa decisão provocou alta nos custos e, consequentemente, de forma especial, nos preços finais dos aparelhos de entrada e intermediários.
No entanto, os modelos premium, como o Galaxy S26 e o iPhone 17, não foram tão afetados pela crise; pelo contrário: ampliaram suas participações de mercado, com a Samsung alcançando 24% e a Apple 20%, embora esta já tenha sinalizado que haverá reajustes nos preços dos próximos lançamentos.
No Brasil, a consultoria IDC espera uma queda similar à do mercado global, cerca de 11%. Já o market share, é um tanto quanto diferente: aqui, a Samsung tem 46%, seguida pela Motorola com 21%; a Apple tem apenas 5% do mercado.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].
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