BI é estratégia de negócio, não assunto técnico da TI

Para ser chamada de inteligência do negócio, o BI deve estar dentro do negócio. Parece óbvio. E é mesmo

Aldir Rocha (*)

Com certeza você já ouviu a expressão “data driven”. Com certeza, também, já ouviu que naquela grande empresa há um time encarregado de tratar uma quantidade enorme de dados e que é capaz de extrair um significado valioso do que os dados dizem. 

Esse time, comumente, responde à TI, a área encarregada de colher, enriquecer e lidar com a inteligência que vem dos dados (o famigerado business intelligence, ou BI). Muito comum, porém questionável.

Diversas empresas tratam o BI como um assunto de TI, quando, como o próprio nome sugere, a “inteligência de negócio” deve permear toda a cadeia de valor da empresa, não ficar restrita a uma área específica, muito menos à perspectiva técnica de TI. 

Vale reiterar: BI é assunto do negócio, não da TI. Quando fica restrito à TI, ele gera riqueza sim, mas uma riqueza isolada e incompleta, que não enxerga nem compartilha todas as nuances da empresa.

Já vi organizações que, no afã de aproveitarem os dados a favor do negócio, contratam o mais renomado analista de dados, o alocam ao lado da TI e o tratam como um garçom. Ele é chamado ocasionalmente, sempre que um departamento precisa de uma informação ou um insight que leve a uma aplicação ou serviço que traga vantagem competitiva. Nem é preciso dizer que os resultados de uma “estratégia” como essa vêm a conta-gotas, enquanto, para o cliente final, pouca (ou nenhuma) melhora é percebida. 

Realmente não é raro que uma iniciativa de análise de dados surja quase de forma autônoma e integre-se ao negócio com o passar do tempo. Mas meu papel aqui é justamente provocar você e perguntar: os executivos percebem a importância desse “novo conhecimento” e direcionam a empresa para que, em algum momento no futuro, a gestão seja baseada em dados?

Em outras palavras, a liderança – toda a liderança, não só a TI – sabe como tornar a empresa data driven?
Organização data driven
Nenhuma empresa nasce data driven; ela torna-se data driven, por meio de uma constante análise, enriquecimento, consumo e retroalimentação de dados, em um processo que culmina em inteligência corporativa.

[Para que se torne data driven, uma organização precisa enxergar a gestão baseada em dados como um posicionamento estratégico, puxado pelos executivos. E se a cultura corporativa impuser resistência, os executivos devem difundir a importância da análise de dados como instrumento para vislumbrar novas oportunidades, alavancar os negócios e lidar com informações até então indisponíveis.

E o que faz com que se comece a minerar essas informações e combiná-las com dados externos é justamente o exercício. É uma dinâmica que deve estar dentro do negócio, tal qual a TI: quando a TI atua dentro do negócio para impulsionar essa “onda positiva”, a organização caminha a passos largos em direção ao data driven. A maturidade em relação ao conceito vai sendo construída e a retroalimentação passa a acontecer de fato. 

A forma como a TI se organiza para permitir que o negócio se aproprie do BI é consequência, não causa, desse círculo virtuoso. 
Tanto é que um reconhecido momento de glória da TI é quando ela consegue, de fato, disponibilizar o chamado “self-service BI”: uma quantidade tal de ferramentas e modelos de dados com os quais o negócio pode obter informações e, assim, construir inteligência. E mais que isso: retroalimentar a TI pedindo novas informações e acesso a novos conteúdos. 

E para viabilizar uma organização na qual a TI entregue valor ao BI é preciso, mais uma vez, recorrer ao mantra de internalizar o que é estratégico e terceirizar o que é operacional, potencializando o que de melhor o conhecimento externo das empresas especialistas agrega à construção da maturidade corporativa.

A primeira base de dados que sua empresa precisa ter já existe, é gratuita e está sob seus olhos. Está nos arquivos e processos de todos os departamentos, nos registros do call center, nos sucessos e insucessos das equipes de vendas, nos SLAs, nas reclamações do cliente satisfeito (mas que encontrou algo que pode ser melhor), nos atrasos, dificuldades ou bons resultados logísticos, na base de currículos do RH, nos tempos de produção, no percentual de falhas, no balanço… Enfim, em tudo. 

A análise de dados – e a consequente inteligência do negócio – tem a missão de organizar essa montanha de dados dispersos que, se sua empresa ainda não o fez, está guardada em silos, incapaz de levar a cruzamentos geradores de valor.

(*) É sócio-consultor da empresa com mais de 20 anos na TI

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