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Atenção pais: uma “pegadinha” com IA pode ser muito perigosa

em Tecnologia
quinta-feira, 16 de outubro de 2025

As preocupações com o uso indevido de imagens geradas por Inteligência Artificial vêm se concentrando em assuntos como deepfakes envolvendo políticos e artistas, bullying e fraudes ligadas a reconhecimento facial.

Vivaldo José Breternitz (*)

Agora, adolescentes “criativos” estão gerando uma “pegadinha” que está viralizando no TikTok e que pode gerar graves problemas para esses adolescentes, seus pais e autoridades policiais.

Esses adolescentes estão usando ferramentas de IA para gerar imagens falsas de uma pessoa de aparência desgrenhada e, aparentemente em situação de rua, dentro de suas próprias casas.

Essas imagens são enviadas aos pais com a alegação de que o estranho teria entrado para usar o banheiro, tirar uma soneca ou apenas beber água, muitas vezes afirmando conhecer os pais do jovem.

A reação dos pais, que naturalmente ficam apavorados, é gravada pelos adolescentes e postada no TikTok, onde alguns clipes já acumulam milhões de visualizações.

O que começa como uma brincadeira de mau gosto rapidamente pode se tornar algo muito grave, e potencialmente perigoso, se os pais, em pânico, acionarem as autoridades.

Invasões de domicílio, especialmente envolvendo crianças, são tratadas como de alta prioridade e risco pela polícia, o que significa que brincadeiras como essas acabam por desviar recursos da polícia e até mesmo gerar uma resposta desta que pode levar a tragédias.

A gravidade do problema foi resumida pelo Departamento de Polícia de Salem, Massachusetts, em um comunicado afirmando que “esse tipo de brincadeira desumaniza os moradores de rua, faz com que os pais, angustiados, entrem em pânico e desperdiça recursos policiais. Os policiais chamados para responder não sabem que se trata de uma brincadeira e tratam a ocorrência como uma invasão e roubo em andamento, criando assim uma situação potencialmente perigosa”.

É preciso ação rigorosa dos pais, o que, infelizmente não tem sido muito comum.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].